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Líderes Africanos Exigem Soberania e Integração para Combater Terrorismo e Fortalecer o Continente

Líderes Africanos Exigem Soberania e Integração para Combater Terrorismo e Fortalecer o Continente

Fórum Internacional de Dacar debate estratégias cruciais para a paz e segurança na África, com foco em soberania e integração continental. A soberania e a integração entre os países africanos foram apontadas como pilares essenciais para a paz, estabilidade e segurança no continente. A declaração foi um dos pontos altos do 10º Fórum Internacional de […]

Resumo

Fórum Internacional de Dacar debate estratégias cruciais para a paz e segurança na África, com foco em soberania e integração continental.

A soberania e a integração entre os países africanos foram apontadas como pilares essenciais para a paz, estabilidade e segurança no continente. A declaração foi um dos pontos altos do 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado em Dacar, Senegal.

Investimentos voltados para a população jovem e um controle mais efetivo das fronteiras também foram destacados como medidas cruciais para superar desafios complexos, incluindo a persistente ameaça do terrorismo.

Essas diretrizes foram apresentadas em um contexto global de crescentes tensões comerciais, protecionismo econômico e os impactos das mudanças climáticas, conforme apontado pelo presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye. A informação é do conteúdo divulgado pelo Fórum.

Soberania Africana em Foco Contra Crises Globais

O presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, enfatizou que a África, apesar de não estar isolada, sente os efeitos de crises globais e enfrenta suas próprias ameaças, como conflitos armados e terrorismo. Ele ressaltou a importância de que a agenda de segurança africana seja definida no próprio continente, sem interferências externas, e que o espaço estratégico africano não seja ocupado sem consentimento.

Faye defendeu que os recursos naturais, como urânio, petróleo e gás, descobertos recentemente, devem beneficiar as indústrias locais, impulsionando a transformação estrutural. “Extrair em nosso território, transformar em nosso território e vender a preços justos. Esse é o motor da nossa transformação estrutural”, declarou.

O tema do encontro, “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”, convida a uma reflexão sobre como solidariedade pode tirar o continente de um ciclo de instabilidade e transformá-lo em um espaço pacífico, integrado e próspero.

O Sahel como Epicentro do Terrorismo e a Necessidade de Respostas Conjuntas

A ameaça do terrorismo no Sahel, uma vasta região de transição entre o deserto do Saara e as savanas ao sul, recebeu atenção especial. Grupos ligados ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda têm expandido suas atividades para países do Golfo da Guiné.

O Índice de Terrorismo Global de 2026 aponta o Sahel como o epicentro mundial do terrorismo, respondendo por mais da metade das mortes globais relacionadas ao terrorismo em 2025. Mali, Burkina Faso e Níger, no Sahel central, registraram cerca de 4,5 mil atentados nas últimas duas décadas, resultando em 17 mil mortes.

Especialistas atribuem essa situação à instabilidade política, golpes militares e à atuação de grupos insurgentes em áreas de fronteira. A falta de coordenação de segurança entre os países do Sahel tem sido uma estratégia explorada pelos jihadistas.

“Embora a soberania seja importante em crises internas, aqui é necessária uma resposta multidimensional. Devemos trabalhar igualmente para ter um controle efetivo sobre as fronteiras”, defendeu o presidente senegalês. Ele exemplificou que um perigo de segurança em um país do Sahel afeta os vizinhos, tornando respostas puramente internas ineficazes.

A solução proposta envolve uma combinação de resposta militar, controle eficaz de fronteiras e troca de informações, além de operações conjuntas entre as forças de defesa e segurança dos países africanos.

Investimento em Jovens e Integração Regional como Estratégias de Segurança

O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, conectou os problemas de segurança à falha na representação estatal para a juventude. Ele argumentou que muitos jovens são recrutados para a violência por falta de alternativas oferecidas pelas instituições, transformando investimentos em juventude em uma estratégia de segurança nacional.

“Extremismo e crime organizado encontram espaço nas falhas de governança e em um crescente e perigoso distanciamento entre cidadãos e o Estado. Grupos extremistas recrutam onde há desespero”, discursou Bio, lembrando sua experiência na guerra civil de Serra Leoa.

Bio reforçou a visão de que paz é mais do que a ausência de guerra, mas sim o direito de viver com dignidade e acreditar no próprio futuro. A integração, segundo ele, é indissociável da soberania e da estabilidade, sendo fundamental para a sobrevivência das nações africanas.

Ele defendeu soluções africanas, baseadas na realidade do continente, e parcerias verdadeiras que respeitem a autonomia africana. A unidade entre os países é vista como um caminho para a prosperidade.

Integração Econômica Fortalece a Voz Africana no Cenário Global

O presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, destacou que a integração é uma necessidade para a África, não apenas uma opção. Ao reduzir dependências externas e reforçar complementariedades regionais, a integração amplia a voz do continente no cenário internacional e fortalece a defesa de seus interesses.

El Ghazouani defendeu o fortalecimento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), vista como um importante motor de transformação econômica ao facilitar o comércio e a circulação de bens, serviços e pessoas. Ele apelou pela unidade, mesmo diante da saída de países como Mali, Níger e Burkina Faso, que consideraram a comunidade subordinada a interesses estrangeiros.

O fórum também abordou temas como soberania tecnológica e digital, recursos naturais, transição política e a indústria de defesa, reforçando a busca por um futuro mais autônomo e seguro para a África.

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