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Bolívia: Estado de Exceção e Acordo com Sindicato Diminuem Bloqueios Históricos em Protestos Contra Governo Paz

Bolívia: Estado de Exceção e Acordo com Sindicato Diminuem Bloqueios Históricos em Protestos Contra Governo Paz

Crise na Bolívia: Acordo e Estado de Exceção Reduzem Bloqueios Rodoviários Históricos A Bolívia vive um momento de tensão política e social, com a diminuição significativa dos bloqueios de rodovias após um acordo entre o governo de Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB), principal central sindical do país. Paralelamente, um estado de […]

Resumo

Crise na Bolívia: Acordo e Estado de Exceção Reduzem Bloqueios Rodoviários Históricos

A Bolívia vive um momento de tensão política e social, com a diminuição significativa dos bloqueios de rodovias após um acordo entre o governo de Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB), principal central sindical do país. Paralelamente, um estado de exceção foi decretado, permitindo medidas mais rigorosas para restabelecer a ordem.

Os protestos, que completaram 50 dias, têm sido motivados por políticas governamentais consideradas “neoliberais” por diversos setores da sociedade. A paralisação gerou escassez de alimentos e medicamentos, além de ter custado vidas, o que aumentou o desgaste e a busca por soluções negociadas.

A especialista em ciência política, Alina Ribeiro, da Universidade de São Paulo, aponta que o cansaço da população com os bloqueios e a busca por uma saída negociada, mesmo sem a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz, têm favorecido a redução das mobilizações. Conforme informação divulgada pela Administradora de Estradas Bolivianas (ABC), o número de bloqueios caiu de mais de 80 em dias de pico para 12 no domingo.

Acordo com a COB busca pacificar o país

Na sexta-feira (19), o presidente Rodrigo Paz firmou um acordo com a COB, que pedia reajustes salariais e denunciava o alto custo de vida. O presidente da COB, Mario Argollo, informou que o pacto prevê um período de 90 dias para avaliar o cumprimento dos compromissos pelo governo. Ele apelou ao fim dos bloqueios para a “pacificação do país”.

Entre os pontos acordados, destacam-se a não criminalização dos protestos, o fim da perseguição a lideranças sociais e sindicais, e a formação de uma comissão para a liberação de presos durante as manifestações. O governo também se comprometeu a não privatizar empresas públicas estratégicas nem entregar recursos nacionais a interesses privados.

O presidente Paz comemorou o acordo em redes sociais, afirmando que irá “fortalecer a mineração estatal e a criação de empregos, sem privatizações e com coordenação permanente com a COMIBOL”.

Estado de Exceção é decretado

No sábado (20), um dia após o acordo com a COB, o governo decretou estado de exceção, uma medida que vinha sendo preparada há semanas. O Parlamento confirmou a decisão na madrugada de domingo (21), permitindo ao governo instituir toque de recolher em áreas específicas e usar as Forças Armadas para reprimir manifestantes.

Ao anunciar a medida, Rodrigo Paz acusou os bloqueios de serem financiados pelo narcotráfico, repetindo um discurso já utilizado pelos Estados Unidos para defender seu governo. “O que a Bolívia enfrenta hoje é uma estratégia organizada de desestabilização contra a democracia e um governo constituído, e devemos chamá-la pelo seu nome: uma tentativa de golpe de Estado por parte do narcoterrorismo”, declarou Paz.

O governo boliviano também responsabiliza o ex-presidente Evo Morales pelos protestos. Morales, por sua vez, nega ter controle sobre os movimentos, que segundo ele são compostos por professores, mineradores, camponeses e indígenas.

Divergências persistem no movimento social

Apesar do acordo e do estado de exceção, parte das organizações sociais continua defendendo os bloqueios até a renúncia de Rodrigo Paz. A Confederação Nacional de Mulheres Camponesas Indígenas “Bartolina Sisa” reafirmou a manutenção dos protestos.

A dirigente Virgínia Antiñapa, da “Bartolina Sisa”, denunciou o assassinato de manifestantes e a perseguição a lideranças, rejeitando as acusações do governo. “Nossa luta é justa. Não temos nada a ver com o senhor Morales”, afirmou.

A pesquisadora Alina Ribeiro explica que a heterogeneidade dos grupos que compõem as mobilizações torna difícil uma posição unificada para o encerramento dos bloqueios. “Existe um nível de cisão interna que é muito definidor de toda essa mobilização”, comentou.

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