Dólar Recua Fortemente e Alcança Mínima de Dois Meses com Cenário Externo Favorável
O dólar americano encerrou a quinta-feira (30) em seu menor patamar em quase dois meses, impulsionado por um cenário internacional mais calmo e pela entrada de capital estrangeiro no Brasil. A moeda dos Estados Unidos registrou uma queda de 0,93%, sendo negociada a R$ 5,061, renovando um piso não visto há aproximadamente 60 dias.
Essa desvalorização da moeda americana é reflexo direto de dados de inflação nos Estados Unidos que vieram abaixo do esperado. O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), um indicador chave acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), avançou apenas 0,1% em junho, contrariando as previsões de 0,2%.
O resultado reforçou a percepção de que o Fed pode adotar uma postura menos agressiva em relação às taxas de juros nos próximos meses. Quando a expectativa é de juros estáveis nos EUA, investidores tendem a buscar ativos considerados mais rentáveis e de maior risco, como as moedas de países emergentes, incluindo o real brasileiro. Essa mudança de apetite global favorece a valorização do real.
Entrada de Investidores Estrangeiros Impulsiona o Real
Além do fator externo, a valorização do real foi significativamente beneficiada pela percepção de um aumento na entrada de investidores estrangeiros no mercado brasileiro. Operadores relataram uma demanda crescente por ativos nacionais, especialmente ações de grandes empresas, o que, por consequência, aumenta a oferta de dólares no mercado e fortalece a moeda local.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, também apresentou recuo de 0,93%. A valorização do iene japonês foi um dos principais fatores que pressionaram o dólar globalmente, alinhando-se com a tendência de busca por ativos de maior risco.
Bolsa Brasileira Dispara com Otimismo Global e Perspectivas de Juros Menores
O ambiente externo mais positivo e os dados de inflação nos EUA impulsionaram a Bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 1,88%, fechando o pregão em 177.158 pontos. O índice recuperou integralmente as perdas observadas na véspera, após a decisão de política monetária do Federal Reserve.
As bolsas internacionais também registraram ganhos expressivos, com o Dow Jones em alta de 1,19%, o S&P 500 subindo 1,67% e o Nasdaq avançando 2,78%. No Brasil, a expectativa de uma redução na taxa Selic nos próximos meses, diante de indicadores de inflação mais comportados, também contribuiu para o bom desempenho do mercado acionário.
As ações de maior peso no Ibovespa, como as de bancos, petroleiras e mineradoras, lideraram os ganhos, refletindo o otimismo geral do mercado e a busca por ativos com maior potencial de retorno. A valorização do Ibovespa demonstra a confiança dos investidores no cenário econômico brasileiro.
Petróleo Recua Após Tensionamento Geopolítico e Antes de Reunião da Opep+
Os preços internacionais do petróleo fecharam em queda, devolvendo parte da alta registrada na sessão anterior. O barril do tipo Brent recuou 1,37%, cotado a US$ 86,88, enquanto o WTI registrou queda de 1,03%, terminando o dia a US$ 83,59. As cotações chegaram a subir durante a madrugada em reação a novos ataques entre Estados Unidos e Irã.
No entanto, o mercado gradualmente reduziu o prêmio de risco associado às tensões geopolíticas. Acompanhamento de negociações envolvendo o Estreito de Ormuz e a avaliação de que não houve interrupção permanente no abastecimento mundial ajudaram a estabilizar os preços. Investidores agora focam na reunião da Opep+ neste domingo, onde novos níveis de produção poderão ser discutidos, influenciando os preços futuros.