CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano e adverte sobre desafios econômicos
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou seu Informe Conjuntural do 2º Trimestre, mantendo a previsão de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024. A entidade projeta uma expansão econômica moderada, impulsionada principalmente pelos setores da indústria extrativa, agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.
Apesar do cenário positivo em alguns segmentos, a CNI aponta que fatores como juros elevados, inflação persistente, aumento dos custos de produção e o crescimento das importações podem limitar uma recuperação econômica mais robusta. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, destacou que o crescimento continuará sustentado por setores ligados a commodities e por estímulos à demanda, mas a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves.
A Confederação também revisou para cima suas projeções de inflação para o ano, prevendo que alimentos, combustíveis e serviços continuarão a pressionar os preços ao consumidor. O cenário fiscal também é motivo de preocupação, com o aumento das despesas públicas previsto para manter as contas do governo no vermelho e elevar o endividamento do país, conforme informação divulgada pela CNI.
Revisão de Indicadores e Desafios da Indústria
A CNI elevou a expectativa de crescimento do PIB industrial de 1,6% para 2,1%. A indústria extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo, teve sua projeção revisada de 7,8% para 9,1%. Já a indústria de transformação, apesar de uma melhora na projeção de 0,3% para 0,6%, continua sob pressão devido ao avanço das importações, juros altos e custos elevados, com apenas sete dos 24 segmentos apresentando crescimento.
A construção civil, por outro lado, deve ganhar impulso com medidas governamentais focadas em crédito habitacional e investimentos em infraestrutura, com a projeção revisada de 1,3% para 1,5%. A CNI estima que a receita líquida federal crescerá 5,8% acima da inflação, enquanto as despesas federais avançarão 4,5% acima da inflação. O déficit primário em 2026 está projetado em R$ 55,3 bilhões, e a dívida pública deve atingir 82% do PIB.
Agronegócio em Alta e Serviços com Desaceleração
O setor agropecuário teve sua projeção de crescimento elevada de 1,1% para 1,8%, impulsionado por uma safra recorde esperada, especialmente de soja, e pelo crescimento da produção animal. Mesmo com o aumento dos custos de insumos devido a conflitos internacionais, o agronegócio deve apresentar um desempenho superior ao previsto. O setor de serviços, que teve a projeção de crescimento revisada de 2,1% para 1,9%, continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho e pelas vendas do varejo.
No entanto, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados têm reduzido a expectativa de crescimento para o setor de serviços. A CNI também revisou para cima a projeção da inflação (IPCA) de 4,4% para 5% em 2024, com alimentos, combustíveis e serviços sendo os principais responsáveis pela pressão sobre os preços.
Juros Altos e Cenário Externo como Pontos de Atenção
Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu sua expectativa de queda na taxa básica de juros (Selic). A previsão agora é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026, mantendo a taxa atual em 14,25% ao ano. A expectativa é que a taxa Selic termine 2026 entre 12,75% e 13,75% ao ano, com juros reais estimados em 9,2% e juro neutro em 5%. Isso indica que a política monetária permanecerá restritiva durante o próximo ano.
No cenário internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco, elevando custos de combustíveis e fertilizantes. Apesar da expectativa de aumento da oferta mundial de petróleo, a CNI monitora o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em paralelo à desaceleração da indústria nacional. O superávit da balança comercial foi de US$ 77,9 bilhões nos primeiros semestres, com exportações crescendo 9,5% e importações totais 5,2%.