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Angela Davis na Flip: Ativista critica gentrificação em Paraty e exalta pensadoras brasileiras como Conceição Evaristo e Lélia Gonzalez

Angela Davis na Flip: Ativista critica gentrificação em Paraty e exalta pensadoras brasileiras como Conceição Evaristo e Lélia Gonzalez

Angela Davis na Flip: Ativista critica gentrificação em Paraty e exalta pensadoras brasileiras como Conceição Evaristo e Lélia Gonzalez A renomada ativista e pesquisadora Angela Davis marcou presença na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em um evento público e gratuito realizado no Sesc Caborê. Durante sua participação, celebrada no Dia Internacional da Mulher […]

Resumo

Angela Davis na Flip: Ativista critica gentrificação em Paraty e exalta pensadoras brasileiras como Conceição Evaristo e Lélia Gonzalez

A renomada ativista e pesquisadora Angela Davis marcou presença na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em um evento público e gratuito realizado no Sesc Caborê. Durante sua participação, celebrada no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Davis abordou temas cruciais como a gentrificação e o racismo ambiental na cidade histórica.

Em uma conversa mediada pela jornalista Flávia Oliveira, a ativista compartilhou reflexões sobre a luta pela liberdade do movimento negro e a dimensão cultural presente na arte e na literatura. A programação da Flip, que se encerrou no dia 26 de março, contou com a participação de Davis em um momento de grande relevância para o debate social e cultural.

Davis denunciou os processos de gentrificação e racismo ambiental que afetam comunidades em Paraty, onde a valorização imobiliária expulsa moradores de suas terras ancestrais em busca de lucro. Ela ressaltou a importância de escutar as comunidades locais e de reconhecer o papel transformador da literatura, conforme informações divulgadas pela fonte do evento.

Exaltação a Conceição Evaristo e a ‘Escrevivência’

Angela Davis expressou grande admiração pela escritora brasileira Conceição Evaristo, comparando sua relevância à de ícones como Nina Simone e Toni Morrison. Davis destacou o conceito de ‘escrevivência’ de Evaristo, ressaltando a importância histórica de dar voz às narrativas negras, algo que, segundo ela, demorou a ser reconhecido.

“Toni Morrison nos mostrou que a experiência branca não é universal”, afirmou Davis, ecoando a importância de perspectivas diversas na literatura. A ativista celebrou a presença de Evaristo na plateia, agradecendo por sua “literatura tão bela” e pelo impacto de suas obras na luta por representatividade.

Beatriz Nascimento e a ‘Amefricanidade’ de Lélia Gonzalez

A ativista também homenageou a contribuição da pesquisadora brasileira Beatriz Nascimento, citando sua famosa frase “eu sou atlântica” como um sentimento de pertencimento a um mundo maior. Davis conectou essa ideia ao conceito de internacionalismo, que a inspirou em sua juventude.

Outra figura proeminente exaltada por Davis foi Lélia Gonzalez, autora e ativista cujos estudos sobre gênero, raça e classe são referência. Davis demonstrou profundo apreço por Gonzalez, destacando sua inspiração e o conceito de ‘Amefricanidade’, que reconhece a interconexão entre a luta negra e a causa indígena.

“Eu amo a Lélia Gonzalez”, declarou Davis, enfatizando a crítica de Gonzalez ao capitalismo. A ativista lamentou a ganância dos “trilionários” que exploram a terra sem pensar nas consequências, perpetuando a desigualdade e dificultando um futuro justo para o planeta.

Críticas ao Capitalismo e à Ascensão do Fascismo

Angela Davis teceu fortes críticas ao sistema capitalista, apontando que a exploração desenfreada não apenas destrói recursos naturais, mas também oprime os seres humanos. Ela argumentou que o foco no lucro a qualquer custo, exemplificado pela ação de grandes magnatas, é o motor de muitas dificuldades enfrentadas pela população mundial.

A ativista também comentou sobre os perigos da ascensão de governos autoritários e do fascismo em diversas partes do mundo, incluindo a América Latina. Davis alertou para a necessidade de vigilância nas eleições, impedindo que forças alinhadas ao fascismo cheguem ao poder, e reafirmou a força do povo unido contra tais ideologias.

Luta por Direitos e a Importância da Coletividade

A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades foram outros pontos abordados por Davis. Ela defendeu a jornada reduzida como forma de ampliar o acesso à cultura e ao lazer para os trabalhadores, citando exemplos de sucesso em alguns países europeus.

Recordando sua própria trajetória, Angela Davis enfatizou o poder da luta coletiva. Ela relembrou o período em que esteve presa, destacando que foram os movimentos populares globais que impediram a sua condenação à morte. “As pessoas estavam nas ruas gerando o movimento que impediria que aqueles homens que estavam no poder tomassem essa decisão”, afirmou.

Davis descreveu sua prisão, sob falsas acusações, como um período que, paradoxalmente, a moldou e a fortaleceu. Ela ressaltou que a experiência com outras mulheres encarceradas e a solidariedade internacional foram fundamentais para sua evolução pessoal e ativismo. “Eu fui moldada pelo que passei naquela cadeia”, declarou.

Violência de Gênero e o Legado de Marielle Franco

Ao abordar a violência contra a mulher, Angela Davis ampliou o conceito para além da esfera íntima, incluindo a violência perpetrada pelo Estado. Ela mencionou a violência policial contra mulheres encarceradas e a conexão com a violência doméstica, ressaltando que as mulheres negras e trans são as mais afetadas.

Em um momento emocionante, Davis homenageou a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, agradecendo por seu legado e mencionando o trabalho de sua irmã, Anielle Franco, em dar continuidade a essa luta. A ativista ressaltou a necessidade de quantificar e combater as diversas formas de violência que atingem as mulheres, especialmente as mais vulneráveis.

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