Mulheres Negras Exigem Bem Viver e Fim do Racismo em Massa Marcha no Rio de Janeiro
Milhares de mulheres negras ocuparam a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um poderoso ato pela defesa da democracia, contra o racismo e por reparação. A 12ª Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro clamou por políticas públicas eficazes que combatam as desigualdades históricas e promovam um futuro de bem viver.
O evento, realizado logo após o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, ressaltou a urgência de se olhar para as questões raciais como estruturais na sociedade brasileira. A marcha buscou dar visibilidade às demandas por justiça social e condições dignas de vida.
A coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, Cláudia Vieira, enfatizou que o bem viver é o objetivo final, alcançável apenas com medidas concretas de reparação. Conforme informação divulgada pela fonte, Vieira destacou a importância de ouvir as mulheres negras e de reconhecer o racismo como um problema estrutural que impacta diretamente suas vidas, gerando desemprego e instabilidade econômica, política e social.
A Luta Pelo Bem Viver e o Legado de Marielle Franco
A educadora Bárbara Carine, que participou com sua família, ressaltou a importância de inserir crianças nas mobilizações. “A política está no processo de entender quem nós somos, os nossos direitos, e o quão longe nós ainda estamos de onde a gente deveria estar”, afirmou. A marcha, segundo ela, é um momento de celebrar os avanços, mas, principalmente, de projetar um futuro de bem viver, ultrapassando as pautas de mera sobrevivência.
A memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, foi novamente reverenciada com faixas e falas. Sua mãe, Marinete Silva, participou do ato, reforçando a importância da presença política das mulheres. “Ela foi tombada, mas não nos deixa calar. A participação política das mulheres é essencial e também era um projeto dela. Então é importante que a gente venha”, declarou Marinete.
Cultura e Pertencimento: Celebrando a Ancestralidade Negra
A marcha foi embalada por apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ilê de Ouro, que celebraram a ancestralidade, a resistência e a rica produção cultural negra. Para o casal Cinthia Garcia e Laísse Santos, essa celebração é fundamental. “Se tivesse uma palavra para resumir a nossa presença aqui hoje é pertencimento“, destacou Laísse.
Cinthia complementou que a marcha também é pelo direito de existir como são, de usar seus cabelos, turbantes e elementos ancestrais com orgulho, sem sofrer críticas. O casal, que atua com afroturismo em Maricá, apontou que o racismo se manifesta também no apagamento das contribuições negras para o desenvolvimento do país. “Nossa luta é de resgate dessas histórias invisibilizadas”, concluiu Cinthia.
Desigualdade e a Urgência de Políticas Públicas Reparadoras
A Marcha das Mulheres Negras evidencia a persistência do racismo estrutural no Brasil, que se traduz em desigualdades profundas no acesso à educação, saúde, emprego e segurança. As participantes clamaram por políticas públicas que não apenas reconheçam essas disparidades, mas que atuem ativamente para sua superação.
A busca pelo bem viver, mencionada pela coordenadora Cláudia Vieira, transcende a simples sobrevivência e abrange o direito a uma vida plena, com dignidade, respeito e oportunidades iguais. O evento reforçou a necessidade de um diálogo constante e efetivo entre o poder público e a comunidade negra para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva.