Lula defende soberania alimentar como “melhor arma” e anuncia R$ 97,7 bilhões para agricultores familiares
Em um discurso enfático durante o lançamento do Plano Safra para agricultores familiares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (30), ressaltou a importância estratégica da **soberania alimentar** para o Brasil. Ele defendeu que investir na produção de gêneros alimentícios diversificados é fundamental para a segurança e o desenvolvimento do país, posicionando o alimento como a principal “arma” nacional.
A declaração ocorreu em Brasília, onde o governo apresentou um pacote robusto de investimentos, totalizando R$ 97,3 bilhões. Estes recursos englobam uma série de ações, incluindo programas de crédito com juros reduzidos, seguro agrícola, compras públicas, além de assistência técnica e extensão rural, visando impulsionar a produção no campo.
A fala do presidente remete a uma conversa antiga com o ex-líder venezuelano Hugo Chávez. Na ocasião, Lula teria dito a Chávez, enquanto este lhe mostrava aviões de caça, que a verdadeira força de uma nação reside em sua capacidade de produzir alimentos. “Você sabia que a melhor arma que um país tem que ter é alimento? Você sabia que nós temos que ter soberania alimentar?”, teria questionado Lula, enfatizando que o Brasil deve priorizar a compra de itens que não consegue produzir internamente, conforme informado pelo governo.
Incentivo ao crédito e economia em circulação
Lula incentivou diretamente os agricultores familiares a utilizarem os recursos financeiros disponíveis para impulsionar suas atividades. Ele destacou os esforços do governo junto aos bancos públicos para conseguir a **redução das taxas de juros** nos financiamentos, tornando o crédito mais acessível. Para o presidente, o investimento na agricultura familiar não apenas fortalece o setor, mas também impulsiona a economia local, fazendo o dinheiro circular e beneficiar as famílias produtoras e a sociedade em geral.
Terra e paz: um futuro sem guerras
O presidente também abordou a questão da terra no Brasil, sugerindo que a União possui extensas áreas que poderiam ser melhor utilizadas. Lula afirmou que nem mesmo os militares necessitam de tanta terra, pois o país preza pela paz e não se prepara para conflitos. “Nós somos da paz”, declarou, indicando uma visão de priorizar o uso produtivo e social dos recursos territoriais.
Protagonismo da agricultura familiar e políticas públicas
Vânia Marques, presidente da Contag, celebrou o reconhecimento do protagonismo dos agricultores familiares pelo governo. Ela ressaltou a dedicação desses trabalhadores, que produzem sob quaisquer condições climáticas para garantir o alimento nas mesas brasileiras. Marques também destacou o compromisso do governo com as mulheres do campo, através do acesso a políticas públicas que promovem a autonomia financeira e reduzem a vulnerabilidade à violência doméstica.
A líder sindical ainda apontou a urgência em lidar com a desigualdade social e as mudanças climáticas, enfatizando o papel crucial dos agricultores na solução dessas crises. “Nós podemos ser a solução da crise climática porque nós protegemos as nascentes, recuperamos os solos, preservamos as sementes. E somos nós que produzimos com responsabilidade”, afirmou Vânia Marques, reforçando a importância da agricultura familiar sustentável.
Solidariedade ao povo venezuelano
Ao final do evento, Lula expressou profunda solidariedade ao povo da Venezuela, lamentando as mais de 1.943 mortes confirmadas em decorrência dos terremotos que assolaram o país na semana anterior. Ele assegurou que o Brasil fará tudo ao seu alcance para auxiliar na recuperação, mencionando os dados de feridos, desabrigados e edificações afetadas pelo desastre. O presidente encerrou o evento pedindo um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.