Dólar fecha semana em baixa após cautela com tarifas e guerra no Oriente Médio, mas encerra pregão de sexta-feira em leve queda
O mercado financeiro encerrou a semana de forma mista, com o dólar apresentando estabilidade em R$ 5,08 na sexta-feira, mas acumulando uma queda de 0,58% nos últimos cinco dias. A bolsa de valores, por outro lado, registrou um recuo de mais de 1,5% no dia, pressionada pela queda nos preços do petróleo.
A volatilidade foi influenciada por fatores externos, como a imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Investidores buscaram entender o impacto dessas notícias em suas posições, gerando um cenário de cautela.
Apesar da queda diária, o real mostrou resiliência ao longo da semana, beneficiado por fatores internos e externos. Conforme informação divulgada pela Reuters, o desempenho superior do real frente a outras moedas emergentes foi impulsionado por ser o Brasil um exportador líquido de petróleo e pela significativa diferença entre os juros domésticos e os americanos, atraindo capital financeiro.
Ibovespa e Petróleo em Movimento Divergente
Na sexta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,52%, fechando aos 174.041 pontos. Contudo, na semana, o índice conseguiu registrar uma leve alta de 0,19%. A queda no pregão foi influenciada pela venda de ações de petroleiras e mineradoras, após a desvalorização do petróleo e do minério de ferro, respectivamente.
O petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, sofreu uma queda de 3,88% na sexta-feira, cotado a US$ 96,78 por barril, e o WTI recuou 3,12%, a US$ 89,31. Essa desvalorização ocorreu em meio a expectativas de uma retomada nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o que reduziria as tensões geopolíticas na região do Oriente Médio.
Cenário Externo Pondera Novas Tarifas e Negociações Internacionais
A entrada em vigor de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, adicionou um elemento de cautela ao mercado. As novas tarifas variam entre 10% e 12,5%.
Paralelamente, as notícias sobre uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão com apoio da China, trouxeram um alívio temporário, contribuindo para a queda nos preços do petróleo. Apesar da correção, o mercado segue atento aos riscos para a oferta global de petróleo, com conflitos ativos e rotas marítimas sob ameaça.
Dólar em Perspectiva: Estabilidade Semanal e Fatores de Influência
O dólar comercial encerrou o pregão de sexta-feira praticamente estável, com uma leve queda de 0,06%, a R$ 5,081. Ao longo do dia, a moeda oscilou, mas se aproximou da estabilidade no período da tarde.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, também permaneceu praticamente estável, indicando um movimento global moderado da moeda americana. A força relativa do real, no entanto, foi um destaque na semana, impulsionada por fatores estruturais e pela atratividade dos juros brasileiros.
O Que Esperar do Dólar e da Bolsa na Próxima Semana
Os analistas de mercado continuam monitorando de perto os desdobramentos das tarifas americanas e a evolução da situação no Oriente Médio. A política monetária nos Estados Unidos e as decisões do Banco Central brasileiro sobre a taxa de juros também serão cruciais para a direção do dólar.
Para a bolsa, a volatilidade do petróleo e o fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes continuarão sendo fatores determinantes. A expectativa é de que o mercado siga atento a indicadores econômicos e a notícias corporativas relevantes para a precificação dos ativos.