RÁDIO SÃO LUÍS

Uma Boa música com notícias

Maranhão

São Luís

Política

Economia

Tecnologia

Mundo

Esportes

Cultura

Segurança

Mais

[rank_math_breadcrumb]
O Pasquim Regional Ganha Vida Digital: Acervo Histórico de SP e RS é Disponibilizado na Biblioteca Nacional

O Pasquim Regional Ganha Vida Digital: Acervo Histórico de SP e RS é Disponibilizado na Biblioteca Nacional

Acervo Digital do Pasquim: A Memória Viva de SP e RS na Internet Em meio a um Brasil em transformação, com a abertura política, o Plano Cruzado e o fim da fabricação do Fusca, 1986 marcou a chegada de uma nova voz em São Paulo e no Rio Grande do Sul: O Pasquim regional. O […]

Resumo

Acervo Digital do Pasquim: A Memória Viva de SP e RS na Internet

Em meio a um Brasil em transformação, com a abertura política, o Plano Cruzado e o fim da fabricação do Fusca, 1986 marcou a chegada de uma nova voz em São Paulo e no Rio Grande do Sul: O Pasquim regional. O jornal, que já era um fenômeno no Rio de Janeiro durante a ditadura militar, levou seu estilo irreverente e crítico para outros estados, moldando-se à realidade local.

Agora, para celebrar a trajetória dessas edições, que completam quatro décadas, as 114 publicações de São Paulo e do Rio Grande do Sul foram digitalizadas e disponibilizadas na Biblioteca Nacional Digital. Este acervo se soma às 1.072 edições cariocas já existentes, oferecendo um panorama completo da história do jornal alternativo.

A iniciativa de expandir O Pasquim para outras regiões partiu de admiradores do veículo, que buscavam preservar e compartilhar seu legado. O projeto, que exigiu dedicação e pesquisa minuciosa, culminou na criação de um portal online para que todos possam revisitar esse importante capítulo do jornalismo brasileiro. Conforme divulgado, a digitalização do acervo pela Biblioteca Nacional foi uma iniciativa voluntária de admiradores do jornal.

A Chegada do Pasquim a São Paulo e ao Rio Grande do Sul

A ideia de levar O Pasquim para novos mercados surgiu quando o jornal já não possuía a mesma proeminência dos anos 60 e 70. Em São Paulo, o jornalista Paulo Markun liderou a empreitada, com o apoio de Manoel Canabarro e Dante Matiussi. Ele descreveu a experiência como uma verdadeira aventura, movida pela admiração pelo jornalismo que O Pasquim representava.

No Rio Grande do Sul, Flávio Braga foi o entusiasta que viajou ao Rio de Janeiro para convencer o cartunista Jaguar, então diretor do jornal, a autorizar uma sucursal gaúcha. Flávio ressalta a importância do jornal para uma geração, destacando seu papel transgressor em plena ditadura militar.

Nomes como Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sergio Cabral, Ruy Castro e Paulo Francis, além dos icônicos cartunistas Jaguar, Henfil e Ziraldo, foram pilares do Pasquim, mesclando humor ácido, crítica política e contracultura, tudo isso em um período de forte censura.

Pautas Locais com a Irreverência de Sempre

As edições regionais de O Pasquim mantiveram o tom satírico, mas com um foco em pautas locais. No Sul, o jornal abordou o perfil do “macho sulino”, gerando debates e confrontos, como lembra Flávio Braga. Em São Paulo, a publicação refletiu a efervescência política pós-ditadura, segundo Paulo Markun.

Aspectos comportamentais da contracultura, como a liberdade sexual e o uso de drogas, que eram mais evidentes no Rio de Janeiro, também encontraram espaço nas edições regionais. As sátiras políticas miravam figuras como Paulo Maluf, que na época era governador de São Paulo, gerando intensos debates entre os colaboradores paulistas.

O Pasquim regional também deu voz a cartunistas e jornalistas locais. Em São Paulo, destacam-se nomes como Marangoni, Laerte, Jau, Jô Soares, Augusto Nunes e Alberto Dines. No Rio Grande do Sul, contribuíram Edgard Vasquez, Santiago, Bier e Canini, entre outros, essenciais para a existência do jornal.

Desafios Financeiros e a Sobrevivência Pós-Ditadura

A sustentabilidade financeira foi um dos maiores obstáculos para a permanência de O Pasquim em São Paulo e no Rio Grande do Sul, onde circulou por pouco mais de um ano. No Sul, o jornal contava com parcerias estratégicas e anunciantes como a extinta Varig. Em São Paulo, a venda avulsa e o número de anunciantes eram insuficientes.

Paulo Markun aponta que muitos anunciantes ainda relutavam em anunciar no Pasquim devido ao seu passado irreverente. Ele compara com o período da ditadura, quando a venda avulsa do jornal atingia 200 mil exemplares, um número impressionante, que sustentava a publicação sem depender tanto de anúncios.

A falta de clareza sobre o papel de um jornal alternativo após o fim da ditadura também contribuiu para a dificuldade de sobrevivência. Com a imprensa tradicional abrindo espaço para debates antes proibidos, restava uma “franja muito reduzida” para jornais como O Pasquim operar.

A Digitalização: Um Ato de Preservação Histórica

A digitalização do acervo do Pasquim pela Biblioteca Nacional foi um trabalho árduo e voluntário, coordenado por Fernando Coelho dos Santos, um corretor de seguros e grande admirador do jornal. Fernando dedicou seu tempo e esforço, após a aposentadoria, para digitalizar as edições cariocas e, posteriormente, as regionais de São Paulo e Rio Grande do Sul.

O trabalho envolveu a reunião do material e a operacionalização técnica, resultando na disponibilização de 100% do acervo principal e 98% das edições das duas franquias regionais. Fernando descreve o processo como uma “doação” para que essa história não se perca, destacando a importância do apoio da Biblioteca Nacional Digital.

Vale notar que uma produtora cultural foi obrigada a devolver R$ 812 mil captados pela Lei Rouanet para a digitalização de O Pasquim, pois não comprovou a disponibilização gratuita do acervo na internet. A iniciativa da Biblioteca Nacional, por outro lado, garante o acesso público e gratuito a este valioso patrimônio cultural. Para conhecer mais sobre O Pasquim, acesse: https://bndigital.bn.gov.br/dossies/o-pasquim/

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode deixar de perder em seu e-mail.

Veja também:

Chegamos ao fim!