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Mulheres Lésbicas e Bissexuais Marcham em SP Cobrando Justiça e Denunciando Lesbofobia e Bifobia

Mulheres Lésbicas e Bissexuais Marcham em SP Cobrando Justiça e Denunciando Lesbofobia e Bifobia

Caminhada em SP: Vozes Lésbicas e Bissexuais Contra a Violência e Discriminação A 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais tomou as ruas de São Paulo neste sábado (6), reunindo diversas organizações e coletivos em um ato potente de reivindicação e resistência. O evento buscou dar visibilidade às violências específicas que afetam essa parcela da […]

Resumo

Caminhada em SP: Vozes Lésbicas e Bissexuais Contra a Violência e Discriminação

A 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais tomou as ruas de São Paulo neste sábado (6), reunindo diversas organizações e coletivos em um ato potente de reivindicação e resistência. O evento buscou dar visibilidade às violências específicas que afetam essa parcela da comunidade LGBTQIA+, muitas vezes invisibilizadas ou minimizadas em discussões mais amplas.

A mobilização, que tradicionalmente reforça o combate à lesbofobia e à bifobia, teve este ano um tom ainda mais pungente. Um dos eixos centrais foi a homenagem aos dez anos do assassinato de Luana Barbosa dos Reis, uma jovem negra, lésbica e periférica, vítima da violência policial em RibeirãO Preto (SP).

A irmã de Luana, Roseli dos Reis, presente no ato, compartilhou a dor e a indignação pela falta de justiça. Ela relembrou que Luana foi abordada por policiais militares e espancada até a morte após se recusar a ser revistada por agentes do gênero masculino, um direito previsto em lei. A família e movimentos sociais denunciam que os responsáveis pelo crime ainda não foram devidamente punidos, mesmo após uma década. Conforme relatou Roseli, “Dez anos se passaram. Não são dez dias, dez meses. São dez anos sem resposta”.

A Luta por Justiça e o Legado de Luana Barbosa

O caso de Luana Barbosa dos Reis, que ocorreu em 2016, continua sendo um símbolo da violência letal contra mulheres lésbicas e bissexuais negras no Brasil. A mobilização deste sábado ecoou o clamor por justiça e reconhecimento de sua história. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em reconhecimento à luta contra o lesbocídio e a lesbofobia, criou este ano uma premiação com o nome de Luana, visando incentivar iniciativas em prol de mulheres homossexuais.

Lesbofobia e Bifobia: Realidades Constantes e a Ameaça da Ultradireita

Lideranças presentes na concentração, em frente ao MASP, destacaram que a ultradireita brasileira representa um agravamento das perseguições contra mulheres lésbicas e bissexuais. Elas apontaram que essa parcela da população é alvo de maior intolerância por destoar dos padrões impostos pela sociedade heteronormativa, que privilegia a heterossexualidade e o patriarcado.

A lista de agressões e discriminações sofridas por mulheres lésbicas e bissexuais é extensa. Dados do LesboCenso indicam que elas enfrentam segregação, aversão, discriminação em espaços públicos, invisibilidade de seus relacionamentos, violência verbal, isolamento, assédio sexual e até mesmo o estupro corretivo. A objetificação e a negação de suas identidades também são formas de violência recorrentes.

Invisibilidade e a Busca por Representatividade

A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, que se identifica como pansexual, compartilhou sua experiência com a invisibilidade que afeta pessoas fora da heterossexualidade e homossexualidade, como é o caso dos bissexuais. Ela explicou que o estereótipo da “indecisão” sobre com quem se relacionar, seja com homens ou mulheres, é uma forma de desdém com que sua sexualidade é tratada.

Helena, negra e moradora da periferia de São Paulo, cresceu em um ambiente evangélico e, embora tenha uma mãe respeitosa, não se sente à vontade para discutir abertamente suas experiências românticas e sexuais, como seu atual relacionamento com a tatuadora Thais Souza, de 31 anos. Questões de saúde ginecológica e sexual, que deveriam ser tratadas com naturalidade, foram buscadas por ela através de amigos, por medo de julgamento.

Desafios no Atendimento de Saúde e o Preconceito Familiar

O descaso e a desinformação em consultórios médicos em relação a pacientes bissexuais e lésbicas são problemas frequentes, resultando em atendimentos de baixa qualidade. Helena relata que, apesar de sua mãe ter uma criação tradicional, ela não a julga, mas o diálogo sobre sua sexualidade ainda encontra barreiras. “Mas também não muda o fato de que eu tenho minha preferência, sim, nem o de que sou filha dela”, afirma Helena sobre a relação com a mãe.

Thais Souza, que se mudou de Campinas para São Paulo há cinco anos, enfatiza que nunca permitiu que ninguém a limitasse em sua expressão pessoal ou sexualidade. Ela conta que sua família só se tranquilizou quando ela conquistou estabilidade profissional. “Foi muito complicado, principalmente no início, quando eu não tinha tanto apoio da família como tinha de alguns amigos”, compartilha Thais.

Hoje, Thais observa uma mudança na percepção de sua família. “Eles tinham essa visão de que as pessoas desse meio, LGBT, eram pessoas perdidas pelo mundo. Depois que perceberam que não era esse caminho, viram que eu ia conquistar as coisas independentemente da minha sexualidade, acabou mudando a visão de partes da minha família”, conclui, atribuindo o receio familiar a um “preconceito enraizado” e não necessariamente a crenças religiosas.

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