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Jovens Periféricos do Rio Criam "Declaração das Juventudes" para ONU: Água e Dignidade em Pauta

Jovens Periféricos do Rio Criam “Declaração das Juventudes” para ONU: Água e Dignidade em Pauta

Jovens Periféricos do Rio Elaboram “Declaração das Juventudes” para ONU com Foco no Direito à Água Jovens de bairros periféricos e comunidades vulnerabilizadas do Rio de Janeiro se reuniram na Fundação Progresso, próximo aos Arcos da Lapa, para discutir o direito à água, saneamento e resiliência climática. O encontro, organizado pela organização Águas Resilientes, culminou […]

Resumo

Jovens Periféricos do Rio Elaboram “Declaração das Juventudes” para ONU com Foco no Direito à Água

Jovens de bairros periféricos e comunidades vulnerabilizadas do Rio de Janeiro se reuniram na Fundação Progresso, próximo aos Arcos da Lapa, para discutir o direito à água, saneamento e resiliência climática. O encontro, organizado pela organização Águas Resilientes, culminou na elaboração da “Declaração das Juventudes”.

Este documento será enviado às autoridades brasileiras e à Conferência de Águas da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrerá nos Emirados Árabes Unidos de 2 a 4 de dezembro. A conferência é considerada o evento mais importante sobre o tema, visando fortalecer a governança hídrica e elevá-la na agenda internacional.

As discussões abordaram não apenas a necessidade de investimentos, mas também o “custo de não fazer”, enfatizando o impacto social e humano da falta de acesso à água e saneamento. Conforme informações divulgadas, o evento busca dar voz a quem vivencia diretamente as dificuldades, conforme relatado por Verena Meirelles, diretora de Planejamento da Águas Resilientes.

O Custo de Não Fazer: Um Debate Urgente sobre Saneamento

Andrea Pulici, especialista em planejamento urbano, destacou a necessidade de investimentos bilionários para alcançar a universalização do saneamento no Brasil até 2033, meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento. Segundo ela, são necessários cerca de R$ 114 bilhões anuais para garantir que 99% da população tenha acesso à água tratada e 90% à coleta e tratamento de esgoto.

Contudo, Pulici ressaltou que o valor financeiro é secundário diante do “custo de não fazer”. Ela questionou o valor de ter uma comunidade livre de inundações e o impacto da dignidade proporcionada pelo acesso à água e serviços básicos para as famílias. A falta de saneamento, exemplificada pela ausência de água em escolas, é vista como um obstáculo à cidadania.

Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico indicam que 84,1% da população é atendida com rede de abastecimento de água. No entanto, apenas 62,3% possuem rede coletora de esgoto, e somente 51,8% do esgoto gerado é efetivamente tratado.

Água e Dignidade: A Voz das Comunidades na Diplomacia Climática

A ativista Johari Silva, da Ação da Cidadania, conectou o direito à água à dignidade humana, afirmando que “sem água a gente não tem dignidade, não tem sobrevivência alimentar, não tem saúde, a gente não tem nada”. Ela defende que a diplomacia climática deve incluir as vozes das comunidades tradicionais, periferias urbanas, povos indígenas e ribeirinhos.

Silva também ressaltou o trabalho da Ação da Cidadania em “instrumentalizar jovens” para que ocupem espaços de tomada de decisão. “Precisamos ser vistos nesse espaço multilateral e estar na tomada de decisão”, declarou, questionando por quanto tempo a água será subvalorizada.

A Força da Juventude na Luta por um Futuro com Água para Todos

Sylvia Siqueira, da Open Society Foundations, enalteceu o papel da juventude, afirmando que eles “não são apenas o futuro”, mas também “as referências que o mundo precisa para o futuro poder existir”. Ela incentivou os jovens a manterem essa força e chama.

Matheus Marlisson, cientista político, classificou a crise climática como “o maior desafio que a gente está enfrentando nesse milênio” e defendeu a integração entre proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Ele acredita que a juventude brasileira é “extremamente potencializada” e tem potencial para ser referência no debate global.

A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ) relacionou justiça pela água e justiça climática, ressaltando a importância da participação cidadã na governança de recursos hídricos. “O espaço do debate desse encontro é o primeiro passo importantíssimo, porque não existe gestão democrática de recursos que não seja com participação cidadã”, afirmou.

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