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Vírus Sincicial Respiratório (VSR): O Inimigo Oculto que Ameaça Idosos e Pessoas com Comorbidades no Brasil

Vírus Sincicial Respiratório (VSR): O Inimigo Oculto que Ameaça Idosos e Pessoas com Comorbidades no Brasil

VSR em Idosos: Um Alerta Urgente dos Especialistas Enquanto a atenção se volta para a influenza A, especialistas alertam para o crescente perigo do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em idosos e pessoas com comorbidades. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que o VSR já é responsável por uma parcela expressiva dos casos de Síndrome […]

Resumo

VSR em Idosos: Um Alerta Urgente dos Especialistas

Enquanto a atenção se volta para a influenza A, especialistas alertam para o crescente perigo do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em idosos e pessoas com comorbidades. Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que o VSR já é responsável por uma parcela expressiva dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, e a expectativa é de aumento.

A subestimação do VSR em adultos e idosos ocorre, em parte, pela percepção de que a doença afeta majoritariamente bebês. Contudo, estudos e a opinião de pneumologistas e geriatras revelam um cenário preocupante. A dificuldade na detecção do vírus em adultos e a falta de testes em larga escala contribuem para a subnotificação, mascarando o real impacto da infecção.

Os dados apresentados por pesquisadores e médicos, coletados em instituições de saúde e laboratórios privados, apontam para uma realidade onde o VSR pode ser tão ou mais perigoso que outras infecções respiratórias conhecidas. A situação se agrava em indivíduos com condições preexistentes, que se tornam mais vulneráveis às complicações severas.

VSR: Um Risco Subestimado e Dados Preocupantes

Rosemeri Maurici, pneumologista e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), descreve os números atuais como apenas “a ponta do iceberg”. Ela ressalta que a testagem para VSR em larga escala no Brasil é recente, iniciada durante a pandemia de covid-19, o que limita o conhecimento completo sobre sua incidência e letalidade em diferentes faixas etárias.

No primeiro trimestre deste ano, 18% dos casos de SRAG com identificação viral confirmada foram atribuídos ao VSR, segundo o Ministério da Saúde. Entre fevereiro e março, esse percentual foi de 14%, subindo para 19,9% de março a abril, conforme o Boletim Infogripe da Fiocruz. Em laboratórios privados, o VSR chegou a representar 38% dos testes positivos para vírus respiratórios na semana de 4 de abril.

A falta de testes adequados em hospitais é um fator crítico. Muitos pacientes com SRAG, incluindo aqueles que vão a óbito, não têm o agente causador identificado por falha ou atraso na testagem. Dos 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre, apenas em um terço o vírus foi identificado, e quase 17% nem sequer foram testados.

Comorbidades e o Impacto do VSR em Pessoas Acima de 50 Anos

A geriatra Maisa Kairalla destaca que o envelhecimento natural, caracterizado pela imunossenescência (declínio do sistema imunológico), aumenta a suscetibilidade a infecções. No Brasil, esse quadro é agravado pelo envelhecimento com doenças crônicas. Ex-fumantes e pessoas com histórico de consumo de álcool também integram o grupo de risco.

Para idosos, o VSR representa um risco especial. Dados da literatura médica indicam que pacientes idosos com VSR têm 2,7 vezes mais chances de desenvolver pneumonia, o dobro de probabilidade de necessitar de UTI e intubação, e um risco maior de óbito quando comparados à influenza. Esses pontos foram debatidos no seminário “Impacto do VSR na população 50+”.

O cardiologista Múcio Tavares, da Faculdade de Medicina da USP, aponta que mais de 60% dos casos graves de VSR ocorrem em pacientes com doenças cardiovasculares. Infecções virais respiratórias podem desencadear eventos cardiovasculares e cerebrovasculares, como infarto, AVC e piora da insuficiência cardíaca, devido à inflamação sistêmica que causam.

Pacientes com diabetes também são mais vulneráveis, conforme alerta o endocrinologista Rodrigo Mendes. A hiperglicemia torna o indivíduo mais suscetível a infecções e seus agravamentos, podendo desestabilizar quadros clínicos controlados e exigir tratamentos mais complexos.

Grupos de Risco e a Urgência da Vacinação

Pessoas com doenças respiratórias crônicas, como asma grave e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfrentam um risco ainda maior. Segundo Rosemeri Maurici, uma internação em UTI por VSR pode elevar em 70% a probabilidade de óbito em até três anos e acelerar a perda da função pulmonar, aumentando a chance de novas hospitalizações.

A vacinação é uma ferramenta crucial para a prevenção do VSR e suas formas graves. Atualmente, no Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece vacina contra o VSR apenas para gestantes, visando proteger os recém-nascidos. Imunizantes para a população adulta estão disponíveis na rede privada.

Entidades médicas recomendam a vacinação para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. A sugestão é que sociedades médicas indiquem esses grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para possível inclusão no sistema público de saúde.

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