RÁDIO SÃO LUÍS

Uma Boa música com notícias

Maranhão

São Luís

Política

Economia

Tecnologia

Mundo

Esportes

Cultura

Segurança

Mais

[rank_math_breadcrumb]
MPF busca Justiça Federal para proteger comunidade caiçara de Barra de Guaratiba contra remoção pelo Exército

MPF busca Justiça Federal para proteger comunidade caiçara de Barra de Guaratiba contra remoção pelo Exército

MPF aciona Justiça Federal para impedir remoção de comunidade caiçara em Barra de Guaratiba O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro deu um passo importante para a proteção da comunidade caiçara de Barra de Guaratiba, na zona oeste da cidade. O órgão entrou com um pedido na Justiça Federal para que o conflito […]

Resumo

MPF aciona Justiça Federal para impedir remoção de comunidade caiçara em Barra de Guaratiba

O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro deu um passo importante para a proteção da comunidade caiçara de Barra de Guaratiba, na zona oeste da cidade. O órgão entrou com um pedido na Justiça Federal para que o conflito fundiário envolvendo cerca de 70 famílias e o Exército seja tratado como uma questão coletiva, e não como disputas individuais pela posse da terra.

A ação do MPF busca evitar a remoção imediata dos moradores e promover uma solução mediada, que concilie os direitos da comunidade com a proteção do patrimônio público. A comunidade, com forte identidade cultural e histórica na região, enfrenta notificações e ações de reintegração de posse.

A solicitação do MPF, apresentada na última sexta-feira (10), defende a mediação como o caminho mais adequado para garantir os direitos de todas as partes envolvidas. O órgão também pede a transferência do caso da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro para a Comissão de Soluções Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, instância com experiência em mediar conflitos desse tipo.

Histórico de Ocupação e Vulnerabilidade Social

O pedido do MPF foi motivado por uma ação de despejo forçado contra uma moradora local, que alegava invasão de área pertencente ao Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Contudo, o MPF destaca que o CTEx foi erguido em 1987, **posterior à ocupação das terras pela comunidade caiçara**. As construções da comunidade são, em grande parte, simples, evidenciando a **vulnerabilidade social das famílias** que vivem no local.

Disputa Coletiva e Identidade Cultural

Além do caso da moradora notificada, tramitam **ao menos 26 ações de reintegração de posse** contra famílias caiçaras e cerca de 50 notificações extrajudiciais pedindo a remoção de casas. O MPF argumenta que essas ocupações são marcadas por uma **identidade comum** e não devem ser tratadas de forma fragmentada. A região é historicamente ocupada por pescadores que comercializam sua produção artesanal, fortalecendo a economia local e a cultura caiçara.

“A quantidade de famílias envolvidas e a identidade das ocupações evidenciam um litígio de natureza coletiva, que demanda solução estruturada e não medidas fragmentadas”, destacou o procurador Regional dos Direitos do Cidadão adjunto, Julio Araujo. O caso abrange sete comunidades tradicionais: Olaria, Poço das Pedras, Pernambuco, Bolsão do Índio, Itapuca, Araçatiba e Varginha.

Notificações e Direitos dos Povos Tradicionais

Algumas famílias dessas comunidades receberam notificações extrajudiciais para deixar suas residências em um prazo de 30 dias, **sem oferta de alternativa habitacional**. O MPF considera que essa medida afronta a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que reconhece os vínculos dos povos tradicionais com seus territórios. O pedido ressalta que o respeito aos territórios independe de sua regularização formal pelo Estado.

Em dezembro de 2025, uma ação do Exército fechou o tradicional restaurante Tropicana, de cozinha caiçara, sob a alegação de que funcionava dentro da área militar. Na época, os donos relataram a falta de tempo para reação judicial e a perda de seus meios de subsistência. O Exército, procurado, não comentou o pedido do MPF até o momento, e a reportagem permanece aberta para incluir o posicionamento da instituição.

Tags:

Notícias todos os dias!

De domingo a domingo, as notícias que você não pode deixar de perder em seu e-mail.

Veja também:

Chegamos ao fim!