Brasil mira Europa em busca de parcerias para minerais críticos, visando tecnologia e agregação de valor
O Brasil está ativamente buscando estabelecer parcerias com países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras. Esses elementos são de suma importância para a transição energética global e para o avanço tecnológico. A iniciativa foi destacada pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante entrevista coletiva em Hannover.
A busca por colaboração europeia se insere em um contexto de fortalecimento das relações transatlânticas, especialmente com a iminente implementação do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia. O objetivo brasileiro vai além da simples exportação de matérias-primas, visando a transferência de tecnologia e o protagonismo nacional na cadeia produtiva desses recursos estratégicos.
“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, afirmou o embaixador. Ele defendeu a agregação de valor no Brasil, a participação ativa das empresas nacionais na cadeia de suprimentos e a transferência de tecnologia, garantindo que a produção ocorra em solo brasileiro com participação local. Conforme informação divulgada pelo embaixador, o Brasil possui vastas reservas de minerais estratégicos, mas ainda não se destaca globalmente na extração e refino. Ele mencionou conversas com autoridades alemãs sobre a colaboração em tecnologia, especialmente para a exploração de terras raras e outros minerais essenciais.
Minerais Críticos: A Nova Fronteira da Economia Global
Os minerais críticos, incluindo elementos como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as terras raras, são fundamentais para setores de ponta como a transição energética, tecnologia e defesa. O Brasil detém reservas significativas desses recursos. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país lidera as reservas globais de nióbio, com 94%, é o segundo em grafita (26%) e o terceiro em níquel (12%).
Em relação às terras raras, o Brasil concentra 23% das reservas mundiais. Esses elementos são cruciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e energia limpa, como turbinas eólicas, motores elétricos, equipamentos aeroespaciais, satélites e mísseis. Apesar do crescente interesse global e da expansão da produção desses minerais, um estudo do Ipea indica que o Brasil tem enfrentado desafios em aumentar sua participação na produção de muitos desses minerais estratégicos.
Hannover Messe: Palco de Oportunidades para o Brasil
A participação do Brasil como país parceiro na Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que ocorrerá de 20 a 24 de abril, representa uma vitrine importante para as inovações e potencialidades brasileiras. Cerca de 140 expositores brasileiros apresentarão suas tecnologias e soluções industriais na Europa.
O evento também sediará um evento paralelo focado em minerais críticos, com o objetivo de expor as vastas potencialidades do Brasil nessa área. O embaixador Baena Soares ressaltou que a feira acontece em um momento propício, com o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia caminhando para sua implementação, enviando uma mensagem de força ao multilateralismo e contra ações unilaterais e protecionistas.
Acordo Mercosul-UE: Impulso para o Comércio e a Cooperação
A implementação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro, é vista como um marco importante. O Senado brasileiro já aprovou os termos do acordo, que visa criar uma zona de livre comércio entre os blocos. A União Europeia terá que eliminar tarifas sobre 95% dos bens comprados do Mercosul em até 12 anos, enquanto o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos.
A Alemanha, em particular, tem sido uma forte defensora do acordo, e a participação brasileira na Hannover Messe reforça os laços econômicos e políticos com a Europa. O embaixador destacou as complementaridades entre Brasil e Alemanha, com o Brasil oferecendo um ambiente regulatório estável, matriz energética limpa, custos competitivos e capacidade industrial. A corrente de comércio entre Brasil e Alemanha atingiu US$ 20,9 bilhões em 2025, com mais de mil empresas alemãs operando no Brasil, representando um estoque de investimento direto de cerca de 40 bilhões de euros.