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Orquestra feminina do Rio encanta na Itália: Da favela ao Vaticano, jovens musicistas celebram legado de Chiquinha Gonzaga

Orquestra feminina do Rio encanta na Itália: Da favela ao Vaticano, jovens musicistas celebram legado de Chiquinha Gonzaga

Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga faz turnê histórica na Itália, celebrando a força feminina e o legado musical Jovens instrumentistas de 13 a 21 anos, estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro, iniciam nesta sexta-feira (24) uma turnê na Itália com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga (OSJCG). A orquestra, criada em 2021, tem […]

Resumo

Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga faz turnê histórica na Itália, celebrando a força feminina e o legado musical

Jovens instrumentistas de 13 a 21 anos, estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro, iniciam nesta sexta-feira (24) uma turnê na Itália com a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga (OSJCG). A orquestra, criada em 2021, tem como objetivo ampliar a representatividade feminina na música clássica e leva o nome de uma das pioneiras da música brasileira.

A escolha do nome de Chiquinha Gonzaga, primeira maestrina do Brasil, simboliza uma “herança de luta, liberdade e protagonismo feminino”. A orquestra é composta por 52 instrumentistas e tem formação exclusivamente feminina, inspirada na trajetória de Chiquinha, que rompeu barreiras em uma sociedade restritiva para as mulheres.

“Ao trazer o nome dela, a gente conecta as meninas a essa inspiração de coragem e realização. É como se disséssemos, todos os dias: vocês também podem transformar a história”, disse a diretora executiva da Orquestra, Moana Martins, à Agência Brasil. Conforme informações divulgadas pela orquestra, o rigor acadêmico é uma marca do projeto, com apenas alunas de excelentes resultados escolares participando de intercâmbios internacionais, o que resultou em um desempenho 96,6% superior à média de estudantes da rede estadual do Rio de Janeiro.

Turnê Conexão Vaticano: Fé, Cultura e Diplomacia

A agenda na Itália, que vai até 1º de maio, inclui uma audiência com o Papa Francisco no dia 29, na Praça São Pedro, no Vaticano. A turnê “Conexão Vaticano” faz parte das comemorações do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. A iniciativa conta com o apoio do Ministério das Relações Exteriores e patrocínio da Zurich Santander e Petrogal Brasil.

As “Chiquinhas”, como são carinhosamente chamadas, também participarão de intercâmbios acadêmicos com instituições renomadas como a Sapienza Universitá di Roma e a Accademia de Santa Cecilia. Apresentações ocorrerão ainda no Cinema Troisi e na Embaixada do Brasil em Roma, integrando a mostra audiovisual de cinema brasileiro.

Para a violinista Clarysse Amaral, de 21 anos, a oportunidade de se apresentar para o Papa é “inexplicável” e um “feito histórico”. Ela ressalta o apoio familiar em sua carreira musical, que é fundamental para suas conquistas.

Um Repertório que Celebra a Música Brasileira

O repertório da OSJ Chiquinha Gonzaga na Itália homenageia grandes nomes da música brasileira, como Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Baden Powell, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque. A cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, fará uma participação especial nos concertos.

A programação inclui ainda a estreia de uma obra inédita da compositora brasileira Ágatha Lima, que venceu um concurso público organizado pelo projeto. A regência da orquestra na turnê é de Ludhymila Bruzzi, que ressalta a importância de criar laços e cultivar a autoconfiança das jovens musicistas em um meio ainda dominado por homens.

“O fato da orquestra ser só de meninas, mulheres pesa muito para que a mudança seja cada vez mais rápida e presente no meio musical. Existe um senso de união e representatividade muito vivo entre elas”, afirmou Bruzzi.

Impacto Social e Transformador da Música

A diretora executiva, Moana Martins, destaca que manter um projeto como a OSJCG é um desafio, mas o propósito impulsiona a continuidade. “O que nos faz seguir em frente com firmeza é o propósito”, contou. Ela observa a transformação das meninas, que iniciam tímidas e se tornam protagonistas em suas vidas e comunidades.

O impacto do projeto nas famílias e nos territórios é visível, com melhorias no desempenho escolar e na forma como as jovens se posicionam no mundo. A orquestra se torna um vetor de mobilidade social e expansão de horizontes, ampliando as possibilidades em contextos muitas vezes marcados por limitações.

“No fim das contas, o que sustenta a Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga é o sentido”, conclui Martins. A orquestra, que celebra cinco anos em 2026, já realizou outras turnês internacionais, incluindo apresentações no Carnegie Hall, em Nova York, e em Bordeaux, na França.

A orquestra é patrocinada pela Petrogal Brasil e conta com o apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. A iniciativa demonstra o poder transformador da música, capacitando jovens a construir projetos de vida ambiciosos e sustentáveis, muitas vezes sendo as primeiras de suas famílias a ingressar na universidade.

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