Simpósio Nacional do Rádio celebra 90 anos da Rádio Nacional e projeta o futuro da mídia sonora no Brasil
Pesquisadores, profissionais da mídia, estudantes de comunicação e representantes da radiodifusão pública brasileira se reuniram no Rio de Janeiro para o 7º Simpósio Nacional do Rádio. O evento, com o tema “Rádio Nacional 90 anos: memória, inovação e futuros da mídia sonora”, celebrou o legado da Rádio Nacional e abriu um espaço crucial para a discussão sobre o presente e o futuro da mídia sonora no país.
Promovido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e pelo Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom, o simpósio busca promover reflexões sobre as continuidades e rupturas do rádio diante das rápidas transformações tecnológicas, culturais e políticas que moldam a comunicação contemporânea. O encontro é realizado no histórico Palácio Gustavo Capanema, no centro da capital fluminense.
A discussão sobre o futuro da mídia sonora, conforme informações divulgadas pelos organizadores, abordou a capacidade de adaptação do rádio às novas tecnologias, a importância da comunicação pública e o alcance social do meio, especialmente em regiões remotas como a Amazônia, onde o rádio ainda é a principal fonte de informação para grande parte da população.
A Rádio Nacional e sua Influência Histórica
Fundada em 1936, a Rádio Nacional é creditada por transformar a radiodifusão em um fenômeno cultural de alcance nacional. A emissora consolidou formatos, programas e linguagens que atravessaram décadas da comunicação brasileira, moldando a identidade cultural do país. A radialista Mara Régia destacou a importância histórica da Rádio Nacional da Amazônia, ressaltando sua conexão vital com populações ribeirinhas, indígenas e moradores de áreas isoladas na Região Norte.
“A Rádio Nacional da Amazônia não é apenas uma emissora. Ela é companhia, serviço, socorro e pertencimento para quem vive distante dos grandes centros”, afirmou Mara Régia. Ela enfatizou que o rádio continua sendo um poderoso instrumento de cidadania e pertencimento para milhares de pessoas que dependem das ondas sonoras como principal fonte de informação e conexão com o mundo.
A radialista também ressaltou o papel afetivo da emissora ao longo dos anos, pontuando que “o rádio chega, onde muitas vezes, o Estado não chega. Ele informa, acolhe, orienta e cria vínculos”. Durante o debate sobre os 90 anos da Rádio Nacional, Mara Régia reforçou a dimensão histórica da emissora pública, afirmando que “a Rádio Nacional ajudou a construir identidade cultural nesse país continental. Especialmente na Amazônia, ela sempre foi ponte entre os povos.”
Inovação Tecnológica e a Relevância do Rádio no Século XXI
As discussões do simpósio também mergulharam na transformação tecnológica da mídia sonora, abrangendo desde o rádio AM até os podcasts e plataformas digitais. O jornalista Heródoto Barbeiro salientou que o rádio permanece relevante justamente pela sua capacidade de adaptação e pela relação direta que estabelece com os ouvintes. “O povo ouve rádio. Até hoje o nosso povo ouve rádio. É o grande canal de informação”, declarou.
Barbeiro compartilhou sua própria experiência, confessando ser “completamente viciado” em ouvir rádio no carro, destacando a sua função como canal primário de informação. Ao refletir sobre o futuro da mídia sonora, o jornalista apontou que o rádio conseguiu atravessar gerações sem perder relevância: “A Rádio Nacional tem passado. Eu vivi intensamente o passado. E ela tem presente e tem um futuro enorme.”
Heródoto Barbeiro também destacou a credibilidade e a agilidade que historicamente marcaram o rádio brasileiro. “Quando eu era repórter de rádio, você ligava para uma autoridade, para um artista, e ele imediatamente atendia, porque era rádio. Sabia que exigia resposta imediata”, lembrou, concluindo que “o respeito pelo rádio, tanto de autoridades quanto dos agentes culturais do país, é muito grande.”
Diversidade e Inclusão na Radiodifusão
Outro destaque da programação do simpósio foi a participação da jornalista esportiva Luciana Zogaib, da Rádio Nacional. Reconhecida como a primeira mulher a narrar uma partida de futebol no rádio brasileiro, sua trajetória foi apresentada como um símbolo da ampliação do espaço feminino na radiodifusão esportiva. Luciana compartilhou os desafios enfrentados em um ambiente historicamente masculino e a importância de abrir caminhos para novas gerações de mulheres na comunicação esportiva.
Ao longo do primeiro dia, o VII Simpósio Nacional do Rádio reforçou que, mesmo diante das mudanças tecnológicas e da expansão das plataformas digitais, o rádio segue como um dos meios de comunicação mais presentes no cotidiano dos brasileiros. Sua importância é particularmente notável na Amazônia, onde continua a ser um serviço essencial, companhia diária e um poderoso instrumento de integração social e cidadania.