Brasil reforça soberania sobre terras raras e minerais críticos, buscando parcerias internacionais para exploração.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou categoricamente que o Brasil não cederá sua soberania na exploração de minerais críticos e terras raras. A declaração ocorreu durante a inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, São Paulo.
Lula ressaltou a abertura do país para colaborações com nações interessadas, incluindo China, Alemanha, França, Japão e Estados Unidos. O foco principal é garantir que a exploração desses recursos valiosos ocorra dentro do território brasileiro, sob controle nacional.
“Nós não abrimos mão da nossa soberania para dizer que os minerais críticos e as terras raras são nossas e que queremos explorá-las aqui dentro”, declarou o presidente, enfatizando a importância da ciência e inteligência brasileiras nesse processo. A informação foi divulgada pelo portal G1.
Ciência e Tecnologia como Pilares da Soberania
Durante o evento, Lula destacou o papel crucial dos pesquisadores brasileiros, especialmente do CNPEM, no estudo e desenvolvimento de tecnologias para a exploração de terras raras e minerais críticos. A inteligência e o conhecimento científico são vistos como diferenciais para acelerar esse processo.
O presidente mencionou a possibilidade de atrair parceiros internacionais, como os Estados Unidos e a China, para colaborarem com o Brasil na exploração desses recursos, promovendo um ambiente de cooperação científica e tecnológica.
A inauguração das novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, um “supermicroscópio” do CNPEM, representa um avanço significativo. O investimento de R$ 800 milhões, via Novo PAC e FNDCT, visa ampliar a capacidade de pesquisa do país em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima e nanotecnologia.
Sirius: Um Salto Tecnológico para o Brasil
As quatro novas linhas de luz síncrotron inauguradas são Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. Elas prometem impulsionar pesquisas em diversas frentes, desde materiais quânticos e biomoléculas até aplicações em energia, saúde e infraestrutura. A linha Quati, em particular, focará em pesquisas com terras raras e minerais críticos.
A luz síncrotron é uma radiação eletromagnética de alta intensidade, utilizada para investigar a estrutura molecular e atômica da matéria. O Sirius, considerado a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil, posiciona o país na vanguarda mundial em fontes de luz síncrotron de quarta geração.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, ressaltou que o CNPEM tem sido fundamental para romper a dependência de laboratórios estrangeiros, demonstrando que o conhecimento também é uma forma de soberania e permitindo ao Brasil produzir conhecimento em áreas fundamentais.
Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde
Além da inauguração das linhas do Sirius, foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde. A iniciativa, inicialmente coordenada pelo CNPEM, busca fortalecer a soberania tecnológica nacional na área da saúde.
O programa visa desenvolver tecnologias estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS), como biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novos diagnósticos. O objetivo é reduzir a dependência de tecnologias importadas e ampliar a capacidade do Brasil em oferecer soluções de saúde alinhadas às necessidades da população.
“O que celebramos aqui vai muito além das novas linhas do Sirius ou do avanço das obras do Orion. Essa é a prova de que o Brasil pode ocupar o lugar de liderança científica, tecnológica e industrial no mundo”, afirmou a ministra Luciana Santos, reforçando o potencial brasileiro.
Investimento em Pesquisa é Prioridade Estratégica
O presidente Lula enfatizou que investimentos em ciência e tecnologia, como os realizados no CNPEM, não devem ser medidos apenas pelo custo, mas pelo retorno futuro para o país e a sociedade. Ele defende a avaliação de projetos por sua factibilidade e potencial, garantindo recursos para iniciativas que elevem o Brasil a um patamar de respeitabilidade mundial.
“Não me convença com discurso, me convença com projeto. Se o projeto for factível, se ele tiver começo, meio e fim, não haverá problema em arrumar dinheiro e aprovar qualquer projeto desse país”, declarou Lula, incentivando a apresentação de propostas concretas e inovadoras.
A capacidade de desenvolver tecnologias estratégicas, como as relacionadas a minerais críticos, terras raras e inovações em saúde, é vista como fundamental para a autonomia e o desenvolvimento do Brasil no cenário global. O governo reafirma o compromisso com o avanço científico e tecnológico como motor de progresso.