Governo Federal lança campanha nacional para acabar com a escala 6×1 sem redução de salário, visando beneficiar milhões de trabalhadores com mais tempo para a vida pessoal.
O governo federal deu início a uma campanha nacional com o objetivo de erradicar a escala de trabalho 6×1, garantindo que os trabalhadores tenham mais tempo livre para dedicar à família, lazer, cultura e descanso, sem sofrer qualquer tipo de corte salarial. A proposta busca uma reconfiguração significativa da jornada de trabalho no país.
A iniciativa, que já conta com um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, tem o potencial de impactar positivamente a vida de pelo menos 37 milhões de brasileiros. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) destacou que a garantia de mais tempo de descanso está alinhada com uma visão moderna de desenvolvimento, que une produtividade, bem-estar e inclusão social.
Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário. Porque tempo não é um benefício. É um direito.”, a campanha será veiculada em diversas mídias, buscando conscientizar tanto empregadores quanto empregados sobre a importância dessa mudança. A proposta, conforme divulgado pela Secom, defende que a redução da escala de trabalho é uma forma de valorizar a vida além do expediente profissional.
Nova Proposta de Jornada de Trabalho
A proposta do governo estabelece um novo limite de 40 horas semanais, mantendo a carga horária diária de oito horas, inclusive para trabalhadores em escalas especiais. Com essa alteração, os profissionais terão assegurados dois dias de repouso semanal, cada um com duração de 24 horas consecutivas, com preferência para que sejam aos sábados e domingos.
O modelo de trabalho com cinco dias de labor e dois dias de descanso poderá ser objeto de negociação coletiva, permitindo que as particularidades de cada setor sejam consideradas. Essa flexibilidade busca adaptar a nova regra às diversas realidades do mercado de trabalho brasileiro.
Impacto e Alcance da Campanha
A campanha de conscientização sobre o fim da escala 6×1 será veiculada em larga escala, utilizando canais de mídia digital, televisão, rádio, jornais, cinema e até mesmo a imprensa internacional. O objetivo é alcançar o maior número de pessoas possível, promovendo um debate amplo sobre a valorização do tempo do trabalhador.
A Secom ressalta que a redução da jornada de trabalho não só beneficia os indivíduos e suas famílias, mas também pode trazer ganhos para a economia. Jornadas mais equilibradas tendem a diminuir o número de afastamentos por motivos de saúde, melhorar o desempenho profissional e reduzir a rotatividade de funcionários nas empresas.
Tramitação no Congresso Nacional
No dia 14 de abril, o governo federal encaminhou ao Congresso um projeto de lei que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta, que tramita em regime de urgência constitucional, visa reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado e proibindo qualquer redução salarial, o que, na prática, extingue a escala 6×1.
Paralelamente, o Congresso Nacional criou uma comissão especial para analisar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. A comissão, instalada em 29 de abril, tem o prazo de até 40 sessões para apresentar seu parecer e analisará, inclusive, outras propostas de redução de jornada, como a que propõe 36 horas semanais ou a escala de quatro dias de trabalho por semana.
Discussão Ampliada sobre Jornadas de Trabalho
A comissão especial, composta por 38 membros titulares, terá um período de 10 sessões para a apresentação de emendas. O deputado Alencar Santana (PT-SP), presidente do colegiado, indicou que as reuniões iniciais ocorrerão às terças e quartas-feiras para debater a matéria com a urgência necessária.
Além da proposta de 40 horas semanais, o colegiado também analisará outras iniciativas que visam a redução da jornada de trabalho. Uma delas, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe a redução para 36 horas semanais ao longo de dez anos. Outra proposta, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.