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Gente de Verdade: Série Documental Indígena Revela Luta Pela Identidade Paiter Suruí na Amazônia

Gente de Verdade: Série Documental Indígena Revela Luta Pela Identidade Paiter Suruí na Amazônia

Produção Indígena Sobre Identidade é Destaque na Seleção TV Brasil A busca pela preservação da memória e da identidade do povo Paiter Suruí, na Amazônia brasileira, é o tema central da série documental “Gente de Verdade”. A produção foi contemplada na chamada pública Seleção TV Brasil, promovida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com recursos […]

Resumo

Produção Indígena Sobre Identidade é Destaque na Seleção TV Brasil

A busca pela preservação da memória e da identidade do povo Paiter Suruí, na Amazônia brasileira, é o tema central da série documental “Gente de Verdade”. A produção foi contemplada na chamada pública Seleção TV Brasil, promovida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

A iniciativa integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav), do Ministério da Cultura (MinC) e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Ao todo, a EBC anunciou 39 projetos selecionados, com um investimento total de R$ 109.889.224,78, marcando o maior aporte já realizado pelo Estado brasileiro para conteúdo audiovisual na televisão pública.

Selecionada na categoria Sociedade e Cultura, “Gente de Verdade” se passa na terra indígena Sete de Setembro, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso. É nesta região que vive o povo Paiter Suruí, que teve seu primeiro contato com não-indígenas há pouco mais de 50 anos. Desde então, a comunidade tem passado por profundas transformações.

Desafios da Preservação Cultural Paiter Suruí

A série documental retrata os desafios enfrentados pelo povo Paiter Suruí para manter suas tradições vivas. A influência da fé cristã, a aproximação com a vida urbana e a adoção de novas tecnologias têm impactado práticas ancestrais. Rituais foram deixados de lado, pajés foram substituídos por líderes religiosos, e a língua Tupi Mondé corre o risco de ser esquecida pelas novas gerações.

Nesse contexto, “Gente de Verdade” acompanha a jornada de quatro protagonistas de diferentes gerações: Ubiratan, Agamenon, Celesty e Kennedy. Eles embarcam em uma missão para salvaguardar a identidade Suruí, equilibrando as influências externas com seus valores culturais.

A narrativa aborda temas como ancestralidade, o sentimento de pertencimento e os complexos desafios de conciliar tradição e modernidade. A obra busca oferecer um olhar sensível e profundo sobre a realidade do povo Paiter Suruí, impulsionada pela descoberta de um acervo visual inédito.

Um Acervo Visual e o Debate Sobre Memória e Identidade

O ponto de partida da série é a descoberta de um acervo fotográfico produzido por um alemão durante o primeiro contato da comunidade com o homem branco, nos anos 1970. Essas imagens reacendem um debate crucial sobre memória, espiritualidade e identidade. Surgem questionamentos sobre a possibilidade de resgatar essas memórias sem desrespeitar crenças religiosas ou tradições que proíbem, por exemplo, a menção aos mortos.

Com oito episódios de 26 minutos cada, “Gente de Verdade” se destaca por ser uma história conduzida pelos próprios indígenas. Essa perspectiva interna garante autenticidade e um retrato fiel da realidade vivida pelo povo Suruí, distanciando-se de estereótipos e apresentando-os como povos vivos, com voz e futuro.

Protagonismo Indígena no Audiovisual Ganha Espaço

A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, destacou a importância da comunicação pública em dar visibilidade a vozes historicamente silenciadas. “Esse gesto reforça a relevância da comunicação pública para dar visibilidade a vozes historicamente silenciadas. É um projeto potente que posiciona no centro histórias que por muito tempo foram invisibilizadas e que dá protagonismo a quem vive essas experiências”, afirmou.

A direção da série é de Ubiratan Suruí, cineasta do próprio povo, e o roteiro é de Natália Tupi, também cineasta e fotógrafa indígena. Essa colaboração reforça o protagonismo indígena no audiovisual, valorizando narrativas construídas a partir da vivência direta nos territórios. “Gente de Verdade nasce do nosso próprio olhar. Por muito tempo, as histórias sobre os povos indígenas foram contadas por outros, de fora. Aqui, não. Somos nós que contamos.”, ressalta Ubiratan Suruí.

Ele complementa: “Quando a gente coloca nossas próprias narrativas no centro, a gente fortalece nossa autonomia, nossa identidade e mostra a diversidade que existe entre os nossos povos. São histórias reais, de agora, longe dos estereótipos. A gente se apresenta como realmente é: povos vivos, com voz, com pensamento, com futuro — não como personagens do passado.”.

Exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade” Amplia o Acesso

No ano passado, o Instituto Moreira Salles (IMS) promoveu em São Paulo a mostra “Paiter Suruí, Gente de Verdade”, exibindo cerca de 800 imagens capturadas desde os anos 1970. A exposição ofereceu um mergulho profundo nas histórias, tradições, afetos, cotidiano e resistência do povo indígena. A mostra continua disponível no site do IMS, permitindo o acesso a esse valioso acervo visual.

A exibição de “Gente de Verdade” na TV Brasil é vista como um avanço significativo. “Ver uma obra indígena sendo exibida na TV Brasil é um avanço muito importante. Por ser um canal público e de alcance nacional, abre espaço para que mais pessoas conheçam nossas histórias. Isso ajuda a criar diálogo, respeito e reconhecimento”, conclui Suruí.

A série promete ampliar a compreensão sobre os povos indígenas no Brasil, utilizando a força do audiovisual para provocar reflexão e promover um maior entendimento sobre suas diversas realidades. A iniciativa é um passo importante para que o Brasil ouça, de fato, as vozes dos povos originários.

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