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Mulheres do Pará Transformam Vidas com Bioeconomia: Mel, Biojoias e Cerâmica Geram Renda e Empoderamento na Amazônia

Mulheres do Pará Transformam Vidas com Bioeconomia: Mel, Biojoias e Cerâmica Geram Renda e Empoderamento na Amazônia

Mulheres do Sudoeste do Pará Lideram Revolução na Bioeconomia, Conquistando Independência e Valorizando a Floresta No coração do Sudoeste do Pará, uma força transformadora está em ação. Mulheres empreendedoras, inspiradas pela riqueza natural da Amazônia, estão redefinindo suas vidas e comunidades através da bioeconomia. Seja produzindo mel de abelhas nativas, criando biojoias a partir de […]

Resumo

Mulheres do Sudoeste do Pará Lideram Revolução na Bioeconomia, Conquistando Independência e Valorizando a Floresta

No coração do Sudoeste do Pará, uma força transformadora está em ação. Mulheres empreendedoras, inspiradas pela riqueza natural da Amazônia, estão redefinindo suas vidas e comunidades através da bioeconomia. Seja produzindo mel de abelhas nativas, criando biojoias a partir de sementes da floresta ou moldando cerâmicas com história, essas mulheres demonstram que é possível prosperar, preservando o meio ambiente e celebrando a cultura local.

Próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo, elas encontram na própria natureza os insumos para seus negócios. Essa conexão não só garante sua independência financeira, mas também lhes confere um papel de destaque em suas comunidades, provando que a sustentabilidade e o empreendedorismo feminino caminham juntos.

Essas iniciativas, que vão desde a produção de mel até a arte em cerâmica e biojoias, têm recebido apoio de iniciativas públicas e privadas, como o Fundo Vale e o Sebrae. Elas mostram um caminho promissor para o desenvolvimento regional, baseado no uso inteligente e sustentável dos recursos amazônicos, conforme divulgado pelo Sebrae Pará.

Associação Filhas do Mel da Amazônia: Do Lar para o Negócio

Um exemplo notável é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA), com cerca de dez anos de existência. A associação trabalha com mel de apicultura tradicional e meliponicultura, focada na criação de abelhas sem ferrão resgatadas de áreas de supressão florestal. Essa atividade não só contribui para a preservação ambiental, mas também gera renda e empodera as mulheres envolvidas.

Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras, relata a transformação: “A gente só sabia passar e cozinhar. Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando”. Muitas dessas mulheres, que antes eram analfabetas, voltaram a estudar e hoje lideram seus próprios negócios, saindo “de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma”.

A AFMA, composta por 23 famílias, tem as mulheres como protagonistas na administração, finanças, envasamento e comercialização dos produtos. “Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, afirma Ana Alice, destacando a organização e a busca por otimização da produção, inspirada no trabalho das abelhas.

Preciosidades da Amazônia: Sementes que Viram Riqueza

Em Parauapebas, a Associação Preciosidades da Amazônia transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias, unindo arte e sustentabilidade. Luciene Padilha, secretária da associação, explica o impacto social e econômico no grupo de 12 mulheres participantes. “Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo”, conta.

Hoje, essas mulheres se sentem mais fortalecidas e atuam no empreendedorismo feminino. Sandra Brasil, tesoureira, ressalta a origem dos materiais: “Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão”. Elas aprendem a ver a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade.

As artesãs não só confeccionam as peças, mas também se tornam mentoras, repassando seus conhecimentos. “Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, comemora Sandra. As biojoias fortalecem a economia local e ajudam a preservar a Amazônia, agregando valor à biodiversidade e à cultura brasileira.

Mulheres de Barro: Resgatando Histórias Ancestrais com Argila

O grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu a partir de oficinas de educação patrimonial ligadas ao projeto Salobo. Inspiradas em artefatos arqueológicos encontrados na região, que datam de 6 mil anos atrás, elas criam peças contemporâneas com referências históricas e culturais.

Sandra dos Santos Silva, presidente do Centro Mulheres de Barro, explica que o grupo aprendeu cerâmica do zero. “A gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, relata. Hoje, a cooperativa com 18 mulheres e quatro homens não só produz peças, mas também ministra cursos e oficinas.

Adotando práticas sustentáveis, elas utilizam sobras de argila de construções civis, em vez de extrair diretamente da natureza, evitando a degradação ambiental. “Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade”, explica Sandra, detalhando o processo de reaproveitamento.

Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras, expressa sua satisfação: “Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”. Ela se vê como multiplicadora de conhecimento, repassando o saber para novas gerações.

Bioeconomia: Um Futuro Sustentável e Empoderador

Essas iniciativas no Pará são exemplos de bioeconomia, um modelo econômico que utiliza recursos naturais de forma sustentável. “Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território”, explica Renata Batista, gerente do Sebrae Pará.

Projetos como biojoias, cosméticos naturais e produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser um polo de inovação econômica, valorizando os ativos da floresta. Esses negócios, além de sustentáveis, fortalecem tradições locais e cadeias produtivas, atraindo investimentos e impulsionando o desenvolvimento territorial.

A bioeconomia da sociobiodiversidade movimenta R$ 13,5 bilhões anualmente no Pará. No entanto, empreendedoras na área ainda enfrentam desafios, como acesso a mercado, gestão financeira e sobrecarga de trabalho doméstico. O Sebrae destaca que, apesar de terem escolaridade semelhante ou superior aos homens, os empreendimentos liderados por mulheres tendem a faturar menos e ter maior dificuldade de acesso a crédito.

Para fortalecer esses projetos, o governo federal lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), com foco em iniciativas de sociobioeconomia e ativos ambientais. O Fundo Vale, por exemplo, já aportou mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região, apoiando negócios que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

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