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Maré em Dez Anos: 160 Vidas Perdidas em Operações Policiais e 1.538 Violações de Direitos no Rio

Maré em Dez Anos: 160 Vidas Perdidas em Operações Policiais e 1.538 Violações de Direitos no Rio

Complexo da Maré registra 160 mortes em operações policiais e milhares de violações de direitos em uma década O Complexo da Maré, um conjunto de 15 favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro, vivenciou uma década marcada pela violência. Entre 2016 e 2025, a região registrou um alarmante número de 160 mortes em decorrência […]

Resumo

Complexo da Maré registra 160 mortes em operações policiais e milhares de violações de direitos em uma década

O Complexo da Maré, um conjunto de 15 favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro, vivenciou uma década marcada pela violência. Entre 2016 e 2025, a região registrou um alarmante número de 160 mortes em decorrência de operações policiais. Os dados, divulgados pela ONG Redes da Maré em seu 9º Boletim Direito à Segurança Pública na Maré 2025, também apontam para 231 operações policiais e 1.538 episódios de violências e violações de direitos contra os moradores.

O levantamento detalha que o ano de 2019 foi o mais letal, com 30 mortes registradas. Em contrapartida, 2024 se destacou pelo número de ações policiais, totalizando 42 operações na comunidade. O estudo, que também analisa os impactos da violência armada em direitos básicos como educação e saúde, levanta preocupações sobre a atuação das forças de segurança.

Tainá Alvarenga, coordenadora do eixo Direito à Segurança Pública e Acesso à Justiça da Redes da Maré, destacou um padrão preocupante: a frequente falta de perícia nas cenas de crime durante as operações. Segundo ela, a desculpa apresentada é a instabilidade dos territórios, o que impede a preservação adequada do local.

Operações Policiais e a Ausência de Perícias

A coordenadora Tainá Alvarenga ressaltou a observação de um padrão preocupante nas operações policiais. Ela apontou para a **não preservação da cena do crime** por parte dos agentes de segurança. As equipes de perícia, responsáveis por coletar evidências cruciais, frequentemente não são acionadas ou não ingressam nos locais das operações.

O discurso utilizado para justificar essa prática, de acordo com Alvarenga, é que esses territórios são considerados instáveis ou não estabilizados. Essa falta de procedimentos adequados pode comprometer investigações futuras e a busca por justiça para as vítimas.

Impacto da Violência Armada no Cotidiano da Maré

O ano de 2025, em particular, trouxe um cenário de intensas interferências na vida dos moradores devido a ações de grupos armados. Foram registradas 11 mortes, além de casos de violência física, psicológica e verbal, ameaças e deslocamentos forçados.

O boletim também documentou invasões de escolas e 141 episódios de disparos de tiros, evidenciando o clima de insegurança constante. Esses incidentes afetam diretamente o acesso à educação e a rotina diária dos residentes da Maré.

Respostas Oficiais e Perspectivas

Em resposta aos dados apresentados, a Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que desconhece a metodologia da pesquisa e a rastreabilidade dos dados. A pasta afirmou que suas atuações são baseadas em **critérios técnicos, inteligência e planejamento operacional**, com foco na repressão qualificada ao crime organizado e na preservação de vidas.

A Secretaria também declarou que é o criminoso quem **escolhe o confronto**, colocando em risco a integridade de policiais e a vida de moradores e trabalhadores nas áreas afetadas. A Polícia Militar ainda não se pronunciou oficialmente sobre os efeitos das operações na comunidade.

Os dados do boletim da Redes da Maré reforçam a necessidade de um debate aprofundado sobre as políticas de segurança pública no Rio de Janeiro e seus impactos nas comunidades mais vulneráveis, buscando soluções que garantam o direito à segurança sem violar outros direitos fundamentais.

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