Flip 2026 surpreende com público recorde e celebra a poesia invisibilizada de Orides Fontela
A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) alcançou um feito notável em sua última edição, atraindo um público de 40 mil pessoas entre os dias 22 e 26 de julho. Este número representa um aumento expressivo de 14% em relação ao ano anterior, consolidando a Flip como um dos eventos literários mais importantes do país.
O feito é ainda mais impressionante quando consideramos a **redução significativa no investimento privado**. Verbas via leis de incentivo e diretas caíram de R$ 10,1 milhões em 2025 para R$ 5,25 milhões em 2026. Apesar desse desafio financeiro, a organização do evento celebrou a **ocupação intensa do Centro Histórico e das ruas de Paraty**, demonstrando a resiliência e o apelo da literatura.
A edição de 2026 prestou uma merecida homenagem à poeta **Orides Fontela (1940-1998)**, cuja obra, marcada por uma genialidade muitas vezes invisibilizada, foi apresentada a um público mais amplo. A Flip, conforme balanço oficial, ainda está captando recursos para cobrir os custos desta edição até dezembro, reforçando o compromisso com a realização do evento.
Poesia e representatividade em destaque
Com 21 mesas no programa principal e uma vasta gama de atividades espalhadas pela cidade, a Flip de 2026 ampliou seu alcance. O número de **Casas Parceiras da Flip saltou de 35 para 46**, oferecendo programação gratuita com nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Paulliny Tort, Socorro Acioli, Cármen Lúcia, Milton Hatoum, Carla Madeira e Itamar Vieira Junior.
Em sintonia com a trajetória de Orides Fontela, a mesa de conversa “Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras”, com a autora Ana Rüsche, abordou o apagamento histórico de escritoras. A coletânea homônima oferece um panorama da **poesia brasileira feminina** do século 18 às primeiras décadas do século 21, resgatando vozes silenciadas.
Diversidade internacional e reflexões contemporâneas
A edição de 2026 também se destacou pela **forte presença de autores internacionais**, com uma diversidade geográfica ampliada. Segundo a curadoria, essa escolha reflete tanto o momento político contemporâneo quanto a natureza instável e acolhedora da poesia.
Nomes como o do líbio-americano **Hisham Matar**, que abordou o sequestro de seu pai, e da luso-angolana **Djaimilia Pereira de Almeida**, com sua experiência diaspórica africana, trouxeram perspectivas globais. A programação paralela contou ainda com a presença da icônica ativista **Angela Davis**.
O programa principal recebeu ainda a mauriciana Nathacha Appanah, a congolesa Ève Guerra, a argentina Julieta Correa, a catalã Eva Baltasar, a alemã Carmen Stephan, a inglesa Zadie Smith, o argelino Kamel Daoud e o guatemalteco Eduardo Halfon, enriquecendo o debate literário com suas distintas vivências e visões de mundo.