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Mercúrio e Chumbo em Caranguejos: Estudo Revela Contaminantes em Manguezais do Paraná e Preocupa Comunidade Caiçara

Mercúrio e Chumbo em Caranguejos: Estudo Revela Contaminantes em Manguezais do Paraná e Preocupa Comunidade Caiçara

Pesquisadores Detectam Mercúrio e Chumbo em Caranguejos-Uçá no Litoral do Paraná, Levando a Preocupações Ambientais Antônio de Souza, um caiçara com quase 50 anos de experiência na cata de caranguejos nos manguezais do Paraná, compartilha sua rotina e a importância da preservação da espécie. Ele destaca o período de defeso, de dezembro a meados de […]

Resumo

Pesquisadores Detectam Mercúrio e Chumbo em Caranguejos-Uçá no Litoral do Paraná, Levando a Preocupações Ambientais

Antônio de Souza, um caiçara com quase 50 anos de experiência na cata de caranguejos nos manguezais do Paraná, compartilha sua rotina e a importância da preservação da espécie. Ele destaca o período de defeso, de dezembro a meados de março, como crucial para a reprodução do caranguejo-uçá, garantindo o sustento de sua família e a continuidade dessa tradição.

“É um ganha-pão”, afirma Souza, que complementa sua renda com a pesca durante o período de defeso. Sua dedicação à conservação do mangue é notável, “A gente não deixa ninguém mexer no mangue, não pode tirar o caranguejo, senão, mais tarde, meu filho, meu neto vão querer comer um caranguejo, e não terá”, ressalta.

O catador colabora com o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), apoiado pela Petrobras, que monitora a saúde do ecossistema e de seus habitantes. Recentemente, um estudo conduzido pela professora Cassiana Baptista Metri, da Unespar e pesquisadora do Rebimar, trouxe à tona descobertas importantes sobre a presença de elementos químicos nos caranguejos-uçá.

Conforme informações divulgadas pelo Rebimar, o estudo analisou a concentração de diversos elementos nos caranguejos. Enquanto foram encontradas substâncias benéficas como zinco, manganês e magnésio, essenciais para o corpo humano, a pesquisa também identificou a presença de contaminantes preocupantes.

Contaminação por Metais Pesados em Caranguejos-Uçá

A pesquisa revelou a presença de **mercúrio e chumbo** concentrados em alguns caranguejos-uçá. A professora Cassiana Baptista Metri explica que a ocorrência desses contaminantes não foi constante, variando de acordo com o local e a época do ano. Essa descoberta levanta questões sobre os potenciais riscos à saúde humana e ao ecossistema.

“A gente encontrou contaminantes que não são desejáveis ─ mercúrio e chumbo ─ concentrados no caranguejo”, revela a pesquisadora. Ela enfatiza a necessidade de mais estudos para determinar o impacto do consumo desses crustáceos na saúde humana, especialmente porque alguns metais podem se acumular no organismo.

A região estudada, próxima ao Porto de Paranaguá, à Ilha da Cotinga e à Ilha do Mel, apresenta um cenário ambiental complexo, com atividades portuárias, áreas indígenas e turismo, o que pode influenciar a qualidade da água e do solo.

Saúde dos Caranguejos e Hipóteses de Defesa

Apesar da detecção de mercúrio e chumbo, os caranguejos-uçá demonstraram estar saudáveis e em plena atividade. A professora Cassiana Baptista Metri aponta duas hipóteses para essa aparente resiliência. A primeira é que os crustáceos podem ter a capacidade de eliminar esses contaminantes através da troca anual de sua carapaça.

“Um caminho é entender se ele manda isso [os contaminantes] embora, e uma das alternativas pode ser a carapaça, que todo ano ele troca, pode ser que ele acumule na carapaça e isso a gente está bem perto de descobrir”, explica. Essa linha de investigação pode oferecer novas perspectivas sobre os mecanismos de defesa dos animais.

A segunda hipótese sugere que a dieta dos caranguejos, rica em folhas de mangue com alto teor de tanino, pode conferir propriedades antioxidantes que os protegem dos contaminantes. Essa característica abre caminho para pesquisas na indústria farmacêutica.

Manguezais: Tesouros Ambientais e o Papel do Carbono Azul

O patrocínio da Petrobras ao Rebimar, no valor de R$ 6 milhões para um ciclo de quatro anos, é fundamental para o monitoramento da Grande Reserva Mata Atlântica. Este projeto utiliza tecnologias avançadas, como imagens de satélite e drones, para mapear cerca de 49 mil hectares de manguezais, uma área equivalente à cidade de Porto Alegre.

A oceanógrafa Sarah Charlier Sarubo destaca a importância dos manguezais como sumidouros de **carbono azul**, que é o estoque de dióxido de carbono (CO₂) capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos. Ela afirma que a eficiência dos manguezais na captura de carbono é superior à de outros biomas brasileiros, como a Floresta Amazônica e o Cerrado.

“Maré que entra todos os dias, salinidade, o ambiente anóxico ─ com pouco oxigênio, tudo isso proporciona uma captura muito mais eficiente de carbono no solo. O grande trunfo em relação aos outros ecossistemas é o solo”, ressalta Sarubo. A conservação desses ecossistemas é vital para mitigar o aquecimento global.

Soluções Naturais e Proteção Costeira

Sarah Sarubo descreve os manguezais como uma **”perfeita solução baseada na natureza”** para combater os efeitos das mudanças climáticas, como inundações. Uma linha de 100 metros de manguezal pode atenuar a energia das ondas em 60%, protegendo as áreas costeiras.

Além disso, o solo dos manguezais atua na prevenção da erosão e no controle da poluição da água. Eles funcionam como filtros naturais, depurando contaminantes e matéria orgânica, entregando água mais limpa para baías e estuários, o que beneficia a saúde dos ecossistemas marinhos e a comunidade local.

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