Dólar recua e bolsa em queda: Ações do Ibovespa fecham em baixa de 1,52% com incertezas globais e locais.
O mercado financeiro brasileiro vivenciou um dia de contrastes nesta quarta-feira (29). Enquanto o dólar à vista fechou em queda, cotado a R$ 5,108, registrando uma desvalorização de 0,27%, a bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, sentiu o peso das incertezas e recuou 1,52%, terminando o pregão aos 173.885 pontos.
A principal notícia do dia foi a decisão do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, de manter as taxas de juros americanas entre 3,50% e 3,75%. Essa manutenção, amplamente esperada pelo mercado, gerou um alívio inicial para o real brasileiro.
No entanto, a divisão interna no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) e o tom considerado mais moderado pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, durante sua coletiva de imprensa, trouxeram um misto de alívio e cautela aos investidores. Conforme informação divulgada pelo g1, a decisão foi dividida, com nove membros votando pela manutenção e três defendendo um aumento de 0,25 ponto percentual.
Manutenção dos juros nos EUA alivia o real, mas cautela persiste
Após a divulgação da decisão do Fed, o dólar, que oscilava perto da estabilidade, perdeu força globalmente. A moeda americana chegou a atingir a mínima de R$ 5,09 no dia, antes de encerrar o pregão em R$ 5,108. O discurso do presidente do Fed, que, apesar de reafirmar o compromisso com a meta de inflação de 2%, destacou sinais positivos nos preços, foi interpretado como um sinal menos duro.
Adicionalmente, o apetite por operações de carry trade, que se beneficiam da diferença de juros entre Brasil e EUA, também favoreceu o câmbio. A valorização do petróleo, um importante item de exportação brasileiro, também contribuiu para o fluxo de recursos ao país, com dados domésticos como o Caged e o superávit da balança comercial ficando em segundo plano.
Bolsa brasileira sofre com incertezas globais e externas
Apesar da força do real, o Ibovespa não conseguiu acompanhar o movimento de valorização. A queda de 1,52% foi pressionada, principalmente, pelo desempenho das ações de bancos. O ambiente externo, com a divisão no Fed e as crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, elevou a aversão ao risco nos mercados globais.
Em Nova York, o S&P 500 também fechou em queda, com desvalorização de 1,55%, refletindo a cautela dos investidores quanto a possíveis novos aumentos de juros nos Estados Unidos. A bolsa brasileira sentiu esse reflexo, mesmo com a valorização das ações da Petrobras.
Petróleo dispara com tensões no Oriente Médio
Em contrapartida ao desempenho da bolsa, o preço do petróleo disparou, interrompendo uma sequência de quedas. O barril do tipo Brent para outubro fechou em alta de 7,32%, cotado a US$ 88,09, enquanto o petróleo WTI, do Texas, para setembro, subiu 6,56%, a US$ 84,46. O agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio foi o principal motor dessa alta.
A intensificação dos ataques envolvendo forças americanas e grupos apoiados pelo Irã, somada às declarações do presidente Donald Trump sobre uma resposta militar, aumentou o temor de uma escalada do conflito em uma região crucial para a produção de petróleo. A queda dos estoques semanais de petróleo nos EUA, acima do esperado, também contribuiu para a valorização.
Ações da Petrobras amenizam perdas do Ibovespa com alta do petróleo
As ações da Petrobras, as mais negociadas na B3, atuaram como um contraponto positivo no pregão, amenizando parte das perdas do Ibovespa. Os papéis ordinários da estatal subiram 2,35%, enquanto as ações preferenciais valorizaram-se 1,92%, acompanhando a disparada das cotações internacionais do petróleo.