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Família Bugre: Legado da Escultora Conceição dos Bugres Ganha Palco no Rio de Janeiro em Nova Exposição

Família Bugre: Legado da Escultora Conceição dos Bugres Ganha Palco no Rio de Janeiro em Nova Exposição

Família Bugre: Legado da Escultora Conceição dos Bugres Ganha Palco no Rio de Janeiro em Nova Exposição A arte que retrata a identidade e a cultura indígena brasileira ganha destaque no Rio de Janeiro. A exposição “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto” apresenta ao público carioca o trabalho da […]

Resumo

Família Bugre: Legado da Escultora Conceição dos Bugres Ganha Palco no Rio de Janeiro em Nova Exposição

A arte que retrata a identidade e a cultura indígena brasileira ganha destaque no Rio de Janeiro. A exposição “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto” apresenta ao público carioca o trabalho da família da renomada escultora Conceição dos Bugres, uma artista que marcou o cenário cultural do Centro-Oeste. A mostra, realizada na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, abre portas para uma tradição familiar que preserva e inova a arte de entalhar a madeira.

Conceição Freitas da Silva Antunes, conhecida como Conceição dos Bugres, nasceu no Rio Grande do Sul em 1914 e dedicou sua vida a retratar figuras indígenas em suas esculturas de madeira, os chamados “bugres”. Seu trabalho a consagrou como uma das maiores artesãs do Mato Grosso do Sul, onde suas peças são consideradas símbolos da arte e da identidade local. Após seu falecimento em 1984, a tradição foi mantida por seu marido, Abílio Freitas da Silva, e agora segue com a nova geração.

Pela primeira vez no Rio de Janeiro, o público terá a oportunidade de conhecer as obras de Sotera Sanches, nora de Conceição e também escultora, e de Mariano Neto, neto da artista. A exposição é uma celebração desse legado artístico e cultural, que se perpetua através das mãos e da criatividade de sua família, conforme informações divulgadas pelo Museu de Folclore Edison Carneiro.

A Tradição dos Bugres no Centro-Oeste

Conceição dos Bugres é reconhecida como um ícone da arte indígena no Brasil. Nascida em 1914, ela desenvolveu um estilo único de entalhar figuras de bugres em madeira, tema que se tornou sua marca registrada e a projetou nacionalmente. Suas esculturas não são apenas peças artísticas, mas também representam um importante registro cultural e histórico do povo indígena, especialmente no Mato Grosso do Sul, onde sua obra é reverenciada.

A força e a originalidade de seu trabalho foram reconhecidas em diversas exposições e instituições culturais ao longo de sua carreira. O Museu de Folclore Edison Carneiro, inclusive, possui algumas obras de Conceição dos Bugres em seu acervo, testemunhando a importância de sua contribuição para a arte popular brasileira. O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) já documentou o trabalho de Conceição na década de 1970, registrando seu ateliê e seu modo de fazer artístico.

Um Novo Capítulo: Sotera Sanches e Mariano Neto no Rio

A exposição “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto” marca a estreia da família de Conceição dos Bugres no Rio de Janeiro. Mariano Neto, que desde a infância acompanhava a avó em seu ateliê, herdou o talento e a paixão pela escultura. Inicialmente, Mariano explorou outros estilos, como sereias, mas após o falecimento de Conceição e de seu marido, decidiu se dedicar integralmente à produção dos bugres, mantendo viva a tradição familiar.

Sotera Sanches, por sua vez, também abraçou a arte da escultura, mas com uma abordagem particular. Enquanto as peças de Conceição e Mariano focam nos bugres, Sotera se dedica à criação de totens, esculturas que apresentam rostos entalhados em madeira crua, sem adornos de cera ou tinta. Embora algumas de suas obras maiores não tenham sido transportadas para o Rio, o público poderá apreciar esculturas de parede que demonstram sua originalidade e técnica apurada. A pesquisadora da mostra, Flávia Klausing Gervásio, ressalta que Sotera esculpe totens em todas as pilastras de sua casa no Mato Grosso do Sul.

A Sala do Artista Popular: Um Espaço de Valorização

A mostra acontece na Sala do Artista Popular, um espaço dedicado a divulgar e valorizar o trabalho de artesãos de todo o Brasil. O Museu de Folclore Edison Carneiro, integrante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), promove há mais de 40 anos o projeto Sala do Artista Popular, que visa documentar o processo criativo e expor as obras de artistas populares.

A exposição estará aberta ao público de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h, com entrada gratuita. A mostra segue até o dia 9 de setembro. Além de apreciar as obras, o público tem a oportunidade de adquirir o catálogo e as esculturas expostas, seguindo o princípio do comércio justo, onde o artista define o preço de suas peças. Uma pequena porcentagem é destinada à administração da loja do museu.

A pesquisadora Flávia Klausing Gervásio destaca o objetivo do museu em promover a diversidade regional e técnica a cada ciclo de exposições, apresentando trabalhos individuais, familiares e comunitários. Após a exposição, os artesãos continuam enviando suas obras para venda, como forma de apoio contínuo, segundo informações à Agência Brasil. A ascensão de Conceição dos Bugres após sua morte é notável, com suas obras hoje expostas em galerias e até no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

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