Governo amplia proteção ambiental e prepara recuperação de florestas com R$ 2 bilhões em investimentos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira (10) um ambicioso pacote de iniciativas voltadas para a preservação e proteção dos biomas brasileiros, além de medidas para o enfrentamento dos impactos das mudanças climáticas. O anúncio, realizado no Palácio do Planalto em Brasília, coincide com a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, que ocorreu em 5 de junho.
As ações visam reforçar a governança ambiental do país e posicionar o Brasil como líder global na proteção de seus ecossistemas. O pacote inclui a criação de novas unidades de conservação, a sanção de leis importantes para a recuperação de biomas específicos e a agilização de repasses de fundos ambientais, conforme divulgado pelo Planalto.
Segundo o presidente Lula, o Brasil está se antecipando aos desafios climáticos, como a possibilidade de um El Niño mais intenso. “Pela primeira vez, a gente está saindo na frente, na luta para combater as possíveis queimadas que virão, porque a perspectiva é de que o El Niño vai ser muito violento, e de que a gente pode ter mais desastres climáticos. Pela primeira vez, nós estamos preparados antecipadamente para enfrentar essa situação”, afirmou Lula.
Novas Unidades de Conservação e Ampliação de Áreas Protegidas
Um dos pilares do pacote é a expansão da rede de áreas protegidas. Lula assinou decretos que estabelecem o Parque Nacional do Tanaru, localizado em Rondônia, e a Área de Proteção Ambiental do Paleocanal do Rio Tocantins, no Pará. Além disso, foram ampliados os Parques Nacionais da Serra das Confusões e de Sete Cidades, ambos no Piauí.
Essas medidas são estratégicas para a proteção de ecossistemas essenciais e fortalecem o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A criação e ampliação dessas áreas visam conter o avanço do desmatamento e garantir a preservação da biodiversidade.
Queda Significativa no Desmatamento e Recuperação da Caatinga
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, destacou a expressiva queda nos índices de desmatamento em diversos biomas brasileiros. Conforme dados apresentados, a Amazônia registrou uma diminuição de 50% no desmatamento, o Cerrado 32% e o Pantanal impressionantes 63%. O ano de 2025 também marcou um feito inédito, com o país ficando abaixo da marca de 1 milhão de hectares desmatados, registrando 984,7 mil hectares, segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas.
Outra iniciativa importante foi a sanção da Lei da Política Nacional para Recuperação da Caatinga. Esta legislação é fundamental para restaurar e proteger um dos biomas mais resilientes e ameaçados do Brasil, promovendo o desenvolvimento sustentável na região.
Investimentos Massivos e Financiamento para Restauração Florestal
O pacote anunciado prevê investimentos substanciais para fortalecer órgãos ambientais. Foram destinados R$ 2 bilhões para ações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Estes recursos são cruciais para a fiscalização, monitoramento e gestão ambiental.
Adicionalmente, foram liberados R$ 834 milhões do Fundo Clima para financiar projetos de restauração de vegetação nativa, propostos por empresas e organizações da sociedade civil. Esses recursos, administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), são um marco, pois, segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, “esses R$ 834 milhões vão gerar R$ 3 bilhões, porque tem dinheiro das empresas que está entrando também para restaurar, para reconstruir nossas florestas”.
Simplificação de Repasses e Preparo para Desastres Climáticos
O decreto que simplifica e agiliza os repasses do Fundo Nacional do Meio Ambiente para estados e municípios também foi sancionado. O objetivo é garantir mais agilidade na prevenção e combate a incêndios florestais, especialmente diante da previsão de eventos climáticos extremos. O ministro Capobianco ressaltou que, desde 2023, “o Brasil retomou a governança ambiental e colocou a questão climática e ambiental no centro das políticas públicas nacionais”, saindo de um período de desestruturação para reconstruir as capacidades do Estado e fortalecer os órgãos ambientais.
A iniciativa reforça o compromisso do governo em reconstruir as capacidades ambientais do país e consolidar a política ambiental como tema central, não periférico, nas ações governamentais, buscando restaurar a credibilidade internacional do Brasil em questões ambientais.