Rioprevidência destina recursos excedentes do custeio para pagamento de benefícios e adota investimentos mais seguros
O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) anunciou uma nova medida que promete reforçar o pagamento de aposentadorias e pensões. A autarquia passará a destinar recursos que sobram do fundo de custeio para cobrir despesas com benefícios previdenciários.
Essa decisão surge em um momento de atenção especial para o órgão, que administra os pagamentos de servidores públicos estaduais e foi recentemente envolvido em investigações relacionadas a aplicações financeiras. A iniciativa visa não apenas garantir a solvência dos pagamentos, mas também implementar um controle de gastos mais rigoroso para o futuro.
A mudança, aprovada pela diretoria executiva do Rioprevidência, estabelece que, ao final de cada mês, os valores do Fundo Administrativo que ultrapassarem 150% das despesas da autarquia nos 12 meses anteriores serão automaticamente transferidos para o pagamento de aposentadorias e pensões. Conforme informação divulgada pelo Rioprevidência, a expectativa é que cerca de R$ 100 milhões sejam redirecionados até o fim deste ano com essa nova regra, que ainda será submetida ao Conselho de Administração em junho.
Mecanismo de Limitação de Despesas e Segurança nos Investimentos
O diretor-presidente do Rioprevidência, Felipe Derbli, destacou que a medida tem um duplo objetivo: além de reforçar o pagamento dos benefícios, ela funcionará como um mecanismo de limitação de despesas futuras. Isso indica uma gestão mais proativa e focada na sustentabilidade financeira do fundo previdenciário.
Em paralelo, a diretoria executiva decidiu adotar critérios de investimento mais conservadores para o Fundo Administrativo. A prioridade agora será dada a aplicações de curto prazo e de maior liquidez. O intuito é aumentar a segurança na aplicação dos recursos, evitando investimentos com maior nível de risco.
“Não há sentido em submeter os recursos do custeio administrativo do Rioprevidência a investimentos de longo prazo, naturalmente mais arriscados”, afirmou Felipe Derbli, reforçando a busca por maior estabilidade nas finanças do órgão.
Contexto das Aplicações no Master e Investigações da PF
A decisão sobre a mudança nas regras de investimento e destinação de recursos ocorre em um contexto delicado. Em maio, a Polícia Federal realizou uma operação que investiga o envolvimento do ex-governador Cláudio Castro na aplicação irregular de aproximadamente R$ 3 bilhões do fundo de previdência dos servidores fluminenses em Letras de Crédito e fundos do Banco Master.
De acordo com um relatório parcial da PF, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência realizou aportes significativos, totalizando R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Essas informações foram encaminhadas ao ministro do STF, André Mendonça, relator do Caso Master.
Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, diante de obstáculos regulatórios, novos aportes foram feitos em fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro, alcançando a ordem de R$ 2,01 bilhões. A nova política de investimentos do Rioprevidência busca, portanto, trazer mais segurança e previsibilidade para a gestão dos recursos, distanciando-se de aplicações de maior volatilidade.