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Revolucionário Projeto GBB Usa DNA Ambiental para Mapear Fauna Marinha da Bahia e Identificar Espécies Ameaçadas

Revolucionário Projeto GBB Usa DNA Ambiental para Mapear Fauna Marinha da Bahia e Identificar Espécies Ameaçadas

Projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) inova com DNA Ambiental para desvendar a vida marinha na Bahia. Uma abordagem pioneira está transformando o monitoramento da vida marinha no sul da Bahia. O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), iniciativa do Instituto Tecnológico da Vale (ITV), está utilizando a técnica de DNA Ambiental metabarcoding para identificar […]

Resumo

Projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB) inova com DNA Ambiental para desvendar a vida marinha na Bahia.

Uma abordagem pioneira está transformando o monitoramento da vida marinha no sul da Bahia. O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), iniciativa do Instituto Tecnológico da Vale (ITV), está utilizando a técnica de DNA Ambiental metabarcoding para identificar espécies a partir de amostras de água coletadas em reservas extrativistas.

Essa tecnologia moderna permite detectar a presença de múltiplas espécies simultaneamente, sem a necessidade de captura direta dos animais. A pesquisa, coordenada pelo Centro Tamar/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com as Reservas Extrativistas (RESEXs) de Corumbau e Cassurubá, promete revolucionar a forma como entendemos e protegemos os ecossistemas marinhos.

A técnica se baseia na análise do DNA deixado pelos organismos no ambiente, como fragmentos de pele, escamas ou fezes. Ao sequenciar esse material genético encontrado em amostras de água, solo ou ar, os pesquisadores conseguem identificar as espécies que passaram pelo local. Essa metodologia inovadora, que já é utilizada em outros países, está sendo testada no Brasil para avaliar sua eficácia em comparação com métodos tradicionais de monitoramento. Conforme informação divulgada pelo projeto, a técnica de DNA Ambiental é considerada uma alternativa não invasiva e eficiente para estudos de biodiversidade.

DNA Ambiental: Uma Janela para a Biodiversidade

O DNA Ambiental (eDNA) funciona como um rastro genético deixado por todos os seres vivos. Pequenos fragmentos de DNA liberados no ambiente, seja na água, no solo ou no ar, contêm informações valiosas sobre a fauna presente. A coordenadora do GBB pelo ICMBio, Amely Branquinho Martins, explica que, ao sequenciar o DNA dessas amostras, é possível comparar com bancos de dados de referência e identificar as espécies.

“Todo animal que passa por um ambiente deixa pedacinhos de pelo, de escama, de fezes ou de urina que contêm o seu DNA. Vários animais passando por aquele ambiente vão deixando rastros de sua passagem e, dentro desse rastro, temos as moléculas de DNA,” detalha Martins. Essa abordagem encurta o caminho para a detecção de espécies, especialmente aquelas raras ou de hábitos elusivos.

A técnica de eDNA metabarcoding tem se mostrado complementar aos métodos tradicionais, superando limitações e permitindo o registro de espécies difíceis de encontrar. Para a coleta, não é necessário conhecimento especializado, apenas o seguimento de um protocolo, garantindo a integridade das amostras ambientais.

Mapeamento Estratégico no Sul da Bahia

No projeto-piloto realizado no sul da Bahia, amostras de água foram coletadas em 20 pontos na Reserva Extrativista de Corumbau e em dez pontos na Reserva Extrativista de Cassurubá. A escolha desses locais considerou espécies de interesse, áreas de pesca e extrativismo, além de locais relevantes para a conservação de espécies ameaçadas e a possível ocorrência de espécies exóticas invasoras.

Roberto Sforza, analista ambiental do ICMBio, ressaltou que a definição dos pontos de coleta levou em conta as espécies de interesse e as áreas de atividade humana e conservação. As amostras coletadas em março passaram por filtragem e conservação antes de serem enviadas ao laboratório do ITV em Belém (PA) para extração, análise e sequenciamento do DNA.

O objetivo principal é identificar não apenas a fauna marinha local, mas também detectar espécies ameaçadas, exóticas e invasoras. Entre os animais de interesse estão peixes e invertebrados com importância social e econômica, como os budiões, além de espécies-alvo da pesca, como peixes recifais, camarões, moluscos e o caranguejo-uçá. Espécies invasoras como o peixe-leão e o coral sol também estão no foco.

GBB: Avançando na Conservação e Bioeconomia

O projeto Genômica da Biodiversidade Brasileira (GBB), em funcionamento desde 2023, é a maior iniciativa de sequenciamento genômico da biodiversidade já realizada no Brasil. Seu objetivo é gerar dados genéticos e genômicos de espécies ameaçadas, exóticas, endêmicas ou de interesse econômico, visando apoiar a conservação e o uso sustentável da biodiversidade brasileira.

“Ao conhecer todo o mapa genético de uma espécie, conseguimos, a partir dali, desenvolver aplicações seja para a conservação seja para o desenvolvimento de novos produtos,” explicou Alexandre Aleixo, pesquisador e coordenador do GBB pelo ITV. O GBB atua em dois eixos principais: genômica para conservação e código de barras genético, que inclui o DNA Ambiental metabarcoding.

Até o momento, o projeto gerou mais de 40 genomas de referência e espera alcançar 80 espécies até o final. Genomas de referência de animais como a onça, arara-azul e anta, além de plantas como o açaí, já foram mapeados. O GBB também busca subsidiar processos institucionais do ICMBio voltados para a conservação da biodiversidade e testar o uso do DNA Ambiental para o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade.

Genomas como Cápsulas do Tempo para Adaptação Climática

Os genomas gerados pelo GBB não servem apenas para a conservação, mas também como verdadeiras “cápsulas do tempo” genéticas. Eles permitem entender a origem de indivíduos e a diversidade genética de populações ao longo do tempo.

Essa informação é crucial para compreender como as espécies lidaram com mudanças climáticas históricas, como a Era do Gelo. Ao analisar o genoma, os pesquisadores buscam entender quais populações se adaptaram e por quê, buscando aplicar esse conhecimento para preparar as espécies para as mudanças climáticas futuras. Essa abordagem, conhecida como resgate evolutivo, já é utilizada em outros países com plantas, identificando características adaptativas para auxiliar em cruzamentos.

Após atuações na Amazônia e em ecossistemas marinho-costeiros, o GBB planeja expandir suas ações para outros biomas brasileiros, como Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Os resultados do projeto estão disponíveis na plataforma GenRefBR.

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