Governo Federal Investe R$ 11 Bilhões para Combater o Crime Organizado com Ênfase na Asfixia Financeira
O Presidente Lula lançou oficialmente o programa Brasil Contra o Crime Organizado, uma iniciativa ambiciosa que visa expandir o combate à criminalidade para além das abordagens tradicionais. O foco principal é a chamada “asfixia financeira”, buscando cortar as fontes de receita de grupos criminosos, incluindo os chamados “criminosos de colarinho branco”.
Durante o evento de lançamento no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula enfatizou que o crime organizado não se restringe a áreas periféricas. “Muitas vezes a polícia olha para favela, mas ele tá te olhando do apartamento de cobertura”, declarou o presidente, ressaltando a presença de criminosos no meio empresarial, no judiciário, no Congresso e até mesmo no futebol.
A nova política de segurança pública foi formalizada por meio de um decreto e quatro portarias, desenvolvidas em colaboração com estados, especialistas e forças de segurança de todo o país. O objetivo é atacar o crime em todas as suas esferas, desde o pequeno delito até as complexas operações financeiras ilegais. Conforme informação divulgada pelo governo federal, o programa prevê um investimento total de R$ 11 bilhões.
Investimento Massivo e Parceria Estratégica para um Combate Eficaz
O montante de R$ 11 bilhões será distribuído entre quatro frentes principais de atuação: o corte do fluxo de dinheiro do crime organizado, o fortalecimento da segurança no sistema prisional, a melhoria na investigação de homicídios e a intensificação do combate ao tráfico de armas e munições. Desse total, R$ 1 bilhão são verbas da União para o ano corrente.
Adicionalmente, uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, proveniente de recursos do BNDES, estará disponível para os estados. Essa parceria entre União e estados foi destacada pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública, Jean Nunes, que ressaltou a necessidade de união entre todas as esferas de justiça criminal para o sucesso do plano.
“A gente precisa fazer com que esse plano chegue na ponta para que a nossa população sinta a diferença”, afirmou Nunes, defendendo a colaboração entre polícias estaduais, federais e municipais, além do Ministério Público e do Poder Judiciário.
“Asfixia do Crime Organizado”: Uma Nova Fronteira no Combate ao Crime
O ministro da Justiça, Wellington Lima, destacou a importância do eixo “asfixia do crime organizado”, citando a experiência bem-sucedida da operação “Carbono Oculto” como modelo. “Nós não precisamos inventar. Essa experiência exitosa serve de modelo e de matriz para este eixo e nos dá a segurança do êxito dessa iniciativa”, explicou Lima.
As ações dentro deste eixo incluem operações integradas mensais das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) nos estados. O uso de tecnologias para extração de dados de dispositivos móveis, como celulares, e a alienação antecipada de bens confiscados de criminosos também são estratégias chave.
Segurança em Prisões e Ampliação de Medidas de Segurança Pública
Outra frente importante do programa é o fortalecimento da segurança no sistema prisional. A meta é implantar o “padrão de segurança máxima em 138 unidades estratégicas” em todo o país. Essa medida visa conter a influência e a capacidade de ação de líderes criminosos mesmo dentro das penitenciárias.
Durante o evento, o Presidente Lula também expressou gratidão à Câmara dos Deputados pela aprovação da PEC da Segurança Pública. Ele indicou que, caso a proposta seja aprovada no Senado, o governo poderá contar com um novo Ministério da Segurança Pública, demonstrando o compromisso em fortalecer as estruturas de combate ao crime no Brasil.
Cooperação Internacional e Diálogo com os Estados Unidos
Lula mencionou que o combate ao crime organizado foi um dos temas discutidos em sua recente reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente brasileiro afirmou ter proposto ao colega americano a colaboração na extradição de criminosos brasileiros que residem nos EUA, especialmente em Miami.
“Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos que estão morando em Miami”, disse Lula a Trump, reforçando a ideia de uma “proposta de asfixia financeira” entre os países. O diálogo incluiu temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas nas fronteiras, buscando uma atuação conjunta e alinhada com as decisões do governo brasileiro.