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Copom segura corte da Selic: Tensões globais e inflação alta forçam cautela e adiam juros baixos

Copom segura corte da Selic: Tensões globais e inflação alta forçam cautela e adiam juros baixos

Copom mantém cautela na política monetária diante de incertezas globais e inflação persistente O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sinalizou que a moderação na redução da taxa Selic, os juros básicos da economia, foi motivada por um cenário internacional instável e pela expectativa de uma inflação mais duradoura. A decisão reflete […]

Resumo

Copom mantém cautela na política monetária diante de incertezas globais e inflação persistente

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sinalizou que a moderação na redução da taxa Selic, os juros básicos da economia, foi motivada por um cenário internacional instável e pela expectativa de uma inflação mais duradoura. A decisão reflete a necessidade de observar os desdobramentos de conflitos geopolíticos e seus efeitos sobre a economia.

A ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (5), detalha os fatores que levaram à decisão de cortar os juros em apenas 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 14,5% ao ano. O documento destaca a atenção redobrada com o cenário global e a política econômica dos Estados Unidos.

O BC informou que está monitorando ativamente o conflito no Oriente Médio e os possíveis impactos de um prolongamento na inflação. A autoridade monetária reafirmou a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária, buscando maior clareza sobre os efeitos dos conflitos no nível de preços.

Tensões globais e efeitos na produção e preços

As incertezas geradas pelas tensões no Oriente Médio, especialmente o conflito entre Estados Unidos e Irã, têm impactado a navegação em rotas comerciais estratégicas, como o Estreito de Ormuz. Essa região é crucial para o transporte de petróleo e fertilizantes, e qualquer restrição de oferta pode gerar efeitos de segunda ordem na economia global e brasileira.

O Copom observa a probabilidade de impactos mais duradouros nas cadeias de produção e distribuição. A volatilidade nos preços de ativos e commodities, intensificada pelo cenário geopolítico, exige uma postura de cautela por parte de países emergentes, como o Brasil.

Expectativas de inflação e a meta do BC

Antes da escalada das tensões globais, a expectativa predominante era de uma queda mais acentuada na Selic. No entanto, o Copom alertou para uma possível “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos”, especialmente para 2028. Essa elevação nas expectativas pode dificultar o trabalho do Banco Central em trazer a inflação de volta à meta.

A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Trazer a inflação para perto da meta quando as expectativas do mercado estão desancoradas exige um custo significativamente maior, justificando a manutenção de uma postura mais restritiva para a taxa Selic.

Trajetória da Selic e o cenário econômico

A taxa Selic, que serve de referência para outras taxas de juros no país, esteve em 15% ao ano, seu maior nível em quase 20 anos, de junho de 2025 a março deste ano. Apesar da retomada do ciclo de cortes em março, impulsionada pela queda da inflação, a guerra no Oriente Médio e seus reflexos no preço de combustíveis e alimentos complicam o cenário.

Apesar desses desafios, o Copom considerou que os eventos recentes não impediriam o prosseguimento do ciclo de redução da taxa de juros. A decisão de dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária se baseia nas evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, permitindo ajustes futuros com base em novas informações.

Projeções de inflação e o modelo do Banco Central

A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, é de 4,89% para este ano, segundo o Boletim Focus. Para 2027, a previsão é de 4%, e para 2028, a expectativa subiu para 3,64% nas últimas semanas. O modelo de referência do próprio Banco Central prevê uma alta de 4,6% para o IPCA em 2026.

A autoridade monetária enfatiza que a manutenção de uma postura restritiva para a Selic é crucial para garantir a convergência da inflação à meta, especialmente em um ambiente de incertezas globais e expectativas de inflação em elevação.

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