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Senegal e Brasil: Unidos no Sul Global em Busca de Protagonismo e Voz Própria

Senegal e Brasil: Unidos no Sul Global em Busca de Protagonismo e Voz Própria

Senegal se consolida como polo de diálogo estratégico, buscando protagonismo no Sul Global ao lado do Brasil. Dacar, a vibrante capital do Senegal, com quase 4 milhões de habitantes em sua região metropolitana, se destaca como o ponto africano mais próximo das Américas. A cidade sediou o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e […]

Resumo

Senegal se consolida como polo de diálogo estratégico, buscando protagonismo no Sul Global ao lado do Brasil.

Dacar, a vibrante capital do Senegal, com quase 4 milhões de habitantes em sua região metropolitana, se destaca como o ponto africano mais próximo das Américas. A cidade sediou o 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, um evento crucial que reuniu chefes de Estado e representantes de 38 países, além de organizações internacionais.

O encontro, que terminou nesta terça-feira (21), serviu como plataforma para discutir soluções para os desafios de segurança do continente. O presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, ressaltou a importância de Dacar como um centro de diálogo estratégico africano e internacional.

O fórum, além de diagnosticar problemas e propor soluções, reforça o protagonismo do Senegal, um país reconhecido por sua estabilidade na África. Essa busca por influência se estende internacionalmente, com foco no chamado Sul Global, onde o Brasil também almeja maior destaque, conforme apontam especialistas em relações internacionais. As informações são da Agência Brasil.

Senegal: Um Histórico de Paz e Estabilidade em um Continente Desafiador

O Senegal se destaca por sua trajetória de paz e estabilidade, sem nunca ter sofrido um golpe de Estado. Essa característica é fundamental em um continente, a África, que enfrenta momentos considerados “conturbados” devido a conflitos internos, terrorismo e crime organizado, especialmente na região do Sahel.

O diplomata Leonardo Santos Simão, chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e Sahel, aponta que o Senegal, através de diálogos regulares como o fórum em Dacar, oferece um espaço valioso para a troca de ideias e opiniões sobre como enfrentar os desafios contemporâneos.

A região do Sahel, que abrange países como Mali, Burkina Faso e Níger, é um dos epicentros do terrorismo internacional, com ameaças de grupos extremistas. O Fórum Internacional de Dacar, ao reunir representantes de diversos países, inclusive de fora da África, busca justamente criar pontes para a busca de soluções conjuntas.

O Sul Global como Plataforma de Cooperação e Voz Coletiva

O representante da ONU enfatizou que o Senegal compartilha com o Brasil o interesse em fortalecer o Sul Global, um agrupamento de nações em desenvolvimento que enfrentam problemas sociais comuns. O Sul Global funciona como um espaço para diálogo interno, identificando desafios compartilhados e buscando interlocução com o Norte Global, os países ricos.

“Este Sul está cada vez mais unido”, afirmou Simão, destacando que Senegal está alinhado com o Brasil e outros países do Sul na promoção de uma voz coletiva para solucionar questões de pobreza e exclusão. A soberania dos países africanos é um imperativo crescente, e as relações com países do Norte precisam ser revistas, distanciando-se de modelos do passado.

A presença de delegações europeias em Dacar, incluindo países com histórico colonial como França e Portugal, sublinha a complexidade das relações internacionais e a busca africana por redefinir esses laços em bases mais equitativas.

Soft Power e a Busca por Autonomia Estratégica Africana

O professor moçambicano Carlos Lucas Mamboza considera o Fórum Internacional de Dacar um claro instrumento de **soft power**, utilizado para projetar a imagem de um Estado estável e com capacidade de mediação de conflitos. A estratégia visa influenciar relações internacionais por meio de atração e persuasão.

O tema do fórum, “África enfrenta os desafios da estabilidade, integração e soberania: Quais soluções sustentáveis?”, reflete o dilema africano em equilibrar estabilidade interna, integração regional e preservação da soberania em um cenário de intensa competição entre potências globais.

Mamboza ressalta que o evento aborda uma agenda ampla, incluindo mudanças climáticas, pandemias e cibersegurança, indicando um esforço do continente em se posicionar de forma autônoma na definição de suas prioridades estratégicas. Essa busca por **autonomia** é um pilar central para o desenvolvimento sustentável.

Senegal e Brasil: Conexões no Atlântico Sul e na Governança Global

Carlos Lucas Mamboza destaca a aproximação diplomática entre Senegal e a América do Sul, especialmente com o Brasil. O Senegal é membro da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), uma aliança que visa manter o Atlântico Sul livre de conflitos.

Com o Brasil assumindo recentemente a liderança da Zopacas, Senegal emerge como um elo crucial entre a África Ocidental e o Atlântico Sul, alinhando-se aos interesses brasileiros. Essa cooperação Sul-Sul inclui a defesa de **reformas na governança global**, como a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, onde África e América do Sul não possuem assentos permanentes.

A delegação dos Estados Unidos em Dacar reconheceu o protagonismo senegalês. O subsecretário adjunto do Departamento de Estado, Richard Michaels, elogiou a liderança africana em segurança e a redefinição da relação com os EUA, agora focada em comércio mutuamente benéfico e na exploração de minerais críticos, essenciais para as tecnologias modernas. A África é vista como um centro crucial nessa corrida por recursos estratégicos.

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