Cuba confirma encontro em Havana com delegação dos EUA e prioriza fim do bloqueio energético
Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores de Cuba para os Estados Unidos, confirmou o recente encontro em Havana entre delegações de ambos os países. A notícia, divulgada pelo jornal Granma, detalha que a reunião teve como foco principal a exigência cubana para que os Estados Unidos suspendam o embargo energético imposto à ilha.
Durante a sessão de trabalho, os diplomatas cubanos enfatizaram a necessidade de **eliminar o bloqueio energético**, classificado como um ato de coerção econômica e uma punição injustificada à população cubana. Segundo García, essa medida também funciona como uma forma de chantagem contra Estados soberanos que buscam manter o livre comércio de combustíveis.
O lado americano na conversa foi composto por secretários-adjuntos do Departamento de Estado, enquanto Cuba foi representada em nível de vice-ministro das Relações Exteriores. O diplomata cubano descreveu o encontro como **respeitoso e profissional**, esclarecendo que nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações coercitivas, contrariando informações veiculadas pela mídia americana. Essas reuniões são conduzidas com discrição devido à sensibilidade dos temas abordados.
Intensificação do Bloqueio Energético
Desde janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou o bloqueio contra Cuba com uma ordem executiva que declara estado de emergência nacional, considerando a ilha uma ameaça incomum à segurança americana. Essa medida permite a Washington sancionar países que fornecem petróleo a Cuba, direta ou indiretamente, o que tem gerado **escassez de combustível** e afetado o cotidiano da população cubana.
Cuba Aberta ao Diálogo com Respeito
O governo cubano reafirmou sua disposição em dialogar com as autoridades dos Estados Unidos, mantendo uma postura aberta à comunicação. No entanto, Cuba insiste que as trocas devem ser conduzidas com base no **respeito mútuo** e na não interferência. Essa posição foi reiterada pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
Possibilidades de Acordos Bilaterais
Em entrevista recente à Newsweek, Díaz-Canel destacou a possibilidade de dialogar com os Estados Unidos em áreas como ciência, migração, combate ao narcotráfico, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes. Ele ressaltou que o diálogo deve ocorrer **em termos de igualdade**, com pleno respeito à soberania, ao sistema político, à autodeterminação e ao direito internacional.
Em outra entrevista, ao programa Meet the Press da NBC News, o chefe de Estado cubano enfatizou: “Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.” A declaração reforça a condição cubana para a continuidade das conversas e a busca por acordos bilaterais.