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MPF exige dados sobre violência sexual infantil no Censo Escolar para capacitar educadores contra abusos

MPF exige dados sobre violência sexual infantil no Censo Escolar para capacitar educadores contra abusos

MPF quer dados sobre violência sexual contra crianças no Censo Escolar O Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a inclusão de dados sobre violência sexual contra crianças no próximo Censo Escolar. O objetivo é **mapear a capacidade dos profissionais da educação básica** em identificar, acolher […]

Resumo

MPF quer dados sobre violência sexual contra crianças no Censo Escolar

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a inclusão de dados sobre violência sexual contra crianças no próximo Censo Escolar. O objetivo é **mapear a capacidade dos profissionais da educação básica** em identificar, acolher e encaminhar adequadamente as vítimas.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão enfatiza a urgência da medida, baseada em dados alarmantes. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou **87 mil estupros no Brasil em 2024**, sendo que 76% das vítimas tinham menos de 14 anos.

Diante desse cenário, o MPF argumenta que a escola precisa estar preparada e contar com educadores habilitados para lidar com situações de violência sexual. A inclusão desses dados no Censo Escolar é vista como um passo fundamental para garantir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente educacional.

Formação de educadores é crucial no combate à violência sexual

Itamar Gonçalves, superintendente de Advocacia da Childhood Brasil, destaca a importância da formação continuada dos profissionais da educação. Ele explica que educadores podem descobrir situações de abuso tanto por relatos diretos das vítimas, amigos e familiares, quanto por sinais físicos e comportamentais.

“Os educadores devem adotar atitudes e procedimentos distintos para cada uma dessas situações”, afirma Gonçalves. Ele ressalta que **pouco se investe na capacitação dos profissionais**, especialmente no enfrentamento às violências, com foco na violência sexual.

A formação adequada permite que os professores saibam como agir ao identificar possíveis casos, garantindo que a criança ou adolescente receba o suporte necessário e tenha seus direitos assegurados. A escola se torna, assim, um ambiente mais seguro.

Lei da Escuta Protegida e a necessidade de implementação municipal

Gonçalves também lembrou da Lei da Escuta Protegida, em vigor desde 2017, que visa garantir direitos e proteger vítimas de violência. Ele defende que os municípios implementem a norma para ampliar a rede de proteção.

“Como é que os profissionais da educação, da saúde, da assistência social, conselheiros tutelares, sistema de justiça e segurança pública vão acolher essa criança após essa revelação?”, questiona. Ele incentiva que os municípios que ainda não implementaram a lei o façam, a fim de **ampliar a proteção às crianças e adolescentes**.

A implementação da Lei da Escuta Protegida é vista como um avanço significativo para o sistema de garantia de direitos, assegurando que as vítimas sejam ouvidas de forma adequada e recebam o acolhimento necessário de todas as esferas de atendimento.

MPF e MEC em diálogo para aprimorar a coleta de dados

O ofício enviado ao Inep é resultado de reuniões realizadas em março entre representantes do Ministério da Educação e do MPF. Novos encontros devem ser agendados nos próximos meses para discutir e aprimorar as estratégias de coleta e utilização dos dados sobre violência sexual.

A colaboração entre os órgãos visa fortalecer as políticas públicas de proteção à infância e adolescência, garantindo que as escolas sejam espaços seguros e que os profissionais estejam preparados para atuar na prevenção e no combate à violência sexual infantil.

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