Marina Silva encerra terceira passagem pelo Ministério do Meio Ambiente com balanço positivo, focado na queda do desmatamento e no fortalecimento da fiscalização.
Em um discurso de despedida de mais de 50 minutos, a ministra Marina Silva apresentou um balanço detalhado de sua gestão de 39 meses à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A cerimônia, realizada em Brasília, marcou o fim de sua terceira passagem pela pasta, todas sob mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O foco principal do discurso foi a retomada da liderança brasileira na agenda ambiental global, apresentando dados sobre a expressiva redução do desmatamento em biomas críticos e a recuperação da capacidade operacional e institucional do ministério. Esses resultados foram alcançados através de um trabalho conjunto e persistente.
“Quando chegamos, em janeiro de 2023, encontramos uma estrutura que precisava ser reconstruída em sua capacidade política, ética, técnica, administrativa e operacional”, afirmou Marina Silva. Conforme informação divulgada pela pasta, a reconstrução institucional se traduziu na incorporação de mais de 1.557 servidores ao sistema do MMA, distribuídos entre Ibama, ICMBio e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Orçamento dobrado e fortalecimento institucional geram resultados expressivos
Um dos pilares da recuperação da pasta foi o aumento significativo do orçamento. Segundo a ministra, o orçamento anual do MMA mais que dobrou, crescendo 120%. Ele passou de R$ 865 milhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025. Marina Silva ressaltou que “reconstrução institucional significa gente, orçamento, governança e capacidade de execução”.
Esse aumento de recursos e a recomposição das equipes tiveram impacto direto na redução do desmatamento. Em 2025, comparado a 2022, a queda foi de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado, o que evitou a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. No ciclo mais recente de alertas, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, a redução continuou, com 33% na Amazônia e 7% no Cerrado.
“Se continuarmos nesse ritmo, mesmo neste período tão desafiador, temos a perspectiva de alcançar a menor taxa da série histórica”, projetou a ministra, evidenciando o potencial de melhoria contínua.
Fiscalização intensificada e recuperação de áreas degradadas
Com a ampliação das equipes e o aumento dos recursos financeiros, a atuação em áreas de maior ameaça ambiental foi significativamente intensificada. Entre 2022 e 2025, o Brasil viu 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação da vegetação nativa. A fiscalização também ganhou força.
As ações de fiscalização do Ibama na Amazônia cresceram 80%, enquanto as do ICMBio aumentaram 24% em comparação com 2022. Consequentemente, as áreas embargadas na Amazônia aumentaram 51% pela atuação do Ibama e 44% pelo ICMBio. Um dado notável é a redução de 50% na área de mineração ilegal na Amazônia, resultado direto do reforço na fiscalização.
Transição de comando e visão de futuro para a pasta
O discurso de Marina Silva também formalizou a transição de comando do MMA. João Paulo Ribeiro Capobianco foi nomeado o novo titular da pasta, uma indicação que, segundo Marina, garante a “continuidade das políticas adotadas no governo do presidente Lula nos últimos anos”.
A ministra, que vê a ação política como serviço, declarou-se “persistente” em vez de otimista ou pessimista. Ela usou a metáfora de “anjos com uma só asa” para ilustrar a importância do trabalho conjunto: “a gente só consegue voar quando estamos abraçados. A imagem muda quando a realidade muda. E a realidade mudou”.
Marina Silva concluiu seu pronunciamento com um alerta sobre a importância da ciência e da verdade: “não existe civilização se o negacionismo prevalece. Se prevalece, talvez não exista nem planeta”.