Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revela otimismo com o desempenho econômico do país no início do ano, mas condiciona previsões futuras à política monetária.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou um cenário econômico promissor para o primeiro trimestre de 2024, estimando um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 0,8% e 1%. Essa projeção, segundo ele, é um reflexo das ações do governo para manter a demanda efetiva aquecida.
Contudo, Haddad preferiu não cravar um percentual para o crescimento anual da economia, justificando que a **taxa de juros** é um fator determinante e ainda incerto para projeções de longo prazo. A declaração foi feita durante entrevista ao programa 20 Minutos, do Opera Mundi.
O ministro também abordou a condução das contas públicas e a importância do arcabouço fiscal, negando que o governo tenha sido excessivamente rigoroso. Ele destacou os esforços para recompor a base tributária, que sofreu perdas significativas, e ressaltou a complexidade de negociar a redução de privilégios e desonerações no Congresso Nacional.
Arcabouço Fiscal e Reformas: Pilares para a Estabilidade
Fernando Haddad reiterou a defesa do **arcabouço fiscal**, argumentando que ele é essencial para a saúde das contas públicas. Ele explicou que a manutenção da disciplina fiscal precisou vir acompanhada de uma batalha no Congresso para a **recomposição da base tributária**, que perdeu cerca de 3% do PIB. O ministro lamentou a lentidão do processo legislativo para cortar privilégios e desonerações, contrastando com a agilidade para aprovar renúncias fiscais.
Otimismo com a Reforma Tributária e Impacto no PIB
O ministro demonstrou confiança no impacto positivo da **reforma tributária**, que entrará em vigor no próximo ano. Segundo ele, a reforma tem potencial para impulsionar ainda mais o PIB, consolidando um cenário de crescimento sustentável. Haddad acredita que as reformas implementadas pelo governo, somadas à disciplina fiscal, garantirão a manutenção do crescimento econômico.
Saída do Ministério e Planos para o Futuro
Em uma revelação surpreendente, Haddad confirmou que deixará o Ministério da Fazenda na próxima semana. Ele expressou o desejo de se candidatar nas próximas eleições, embora não tenha especificado o cargo. A decisão, segundo ele, visa ter mais liberdade para pensar em um **plano de desenvolvimento para o país** fora do ambiente ministerial. O ministro mencionou que o cenário político se mostrou mais complexo do que o esperado, influenciando sua decisão de sair do cargo.
Cenário de Crédito e Manutenção da Demanda Efetiva
Haddad atribuiu parte do desempenho positivo do primeiro trimestre à eficácia dos mecanismos de mudança no crédito e às ações voltadas para a **manutenção da demanda efetiva**. Essas medidas, conforme o ministro, têm sido fundamentais para manter a economia aquecida e resiliente diante de possíveis choques externos e internos.